terça-feira, 8 de outubro de 2013

Oh Zé Luís...

José Luís Peixoto foi assaltado há uns dias na nossa antiga Guiné. De acordo com aquilo que vem na imprensa, o prodigioso escritor regressava ao hotel, depois de uma visita ao maior mercado de rua de Bissau, quando foi surpreendido pelos meliantes, que lhe usurparam o telemóvel que ele transportava na mão.
Peixoto pôs-se a jeito. É que, em Bissau, devido à sua escassez, estes aparelhos electrónicos devem render, como se diz nos PALOP, um bom dinheiro. E se os maltrapilhos tiverem a certeza de que o sujeito-alvo se faz transportar de um telemóvel, não hesitam. Mais: se for estrangeiro, branco e tiver um telemóvel, ainda são capazes de lhe dar uma bordoada no focinho, como foi o caso.
Numa de bom samaritano (?), o escritor alentejano ainda disse acreditar tratar-se de um acto isolado. Um acto isolado que o próprio se prontificou a tornar público após conversa com a agência Lusa.
Ora, se Peixoto não pretendia incitar desconfiança nos tugas que pretendem visitar Bissau, a breve ou a longo prazo, então deixaria este episódio morrer sem que se tornasse público. Seria, assim, um acto isolado. Verdadeiramente.
Boa?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O trabalho dos fiscais

A ideia era simples: fazer um trabalho que reunisse histórias de violência de fiscais da EMEL. E, acreditava eu, eram muitas, tendo em conta que o fiscal da EMEL é uma das figuras de autoridade mais odiadas da cidade de Lisboa.
Pensei o trabalho e entreguei a proposta às chefias. Como muitas outras (não é uma queixa), não foi aceite. Porque o presidente da EMEL tinha, alguns meses antes, dado uma entrevista à revista e, também, porque uma jornalista (que entretanto abandonara a equipa) tinha feito um trabalho sobre as profissões mais odiadas - onde se encontrava a de fiscal da EMEL. Defendi que o âmbito do meu trabalho nada tinha que ver com os dois anteriores, mas fui aconselhado a, pelo menos, adiar a proposta os meses.
Entretanto, a revista foi fechada e essa proposta ficou pendurada. Perdida num documento do Word. Meio esquecida.
Há uns meses, enquanto fazia uma limpeza ao meu disco externo, reparei que nas várias pastas que.lá tinha encontravam-se vários documentos intitulados "Propostas". Umas já tinham sido concretizadas, outras recusadas. Algumas, talvez fruto de noites mal dormidas, embaraçaram-me tanto que nunca chegaram sequer a ser propostas.
Ora, num desses documentos encontrei a tal ideia dos fiscais da EMEL, um trabalho que terminei há algumas semanas e que foi publicado na revista Tabu, do semanário Sol, a 2 de Agosto.
Por ter a oportunidade de fazer tudo à minha maneira, foi um dos trabalhos que mais prazer me deu deste que me iniciei no jornalismo. E, pese embora todos os obstáculos que fui encontrando - um dia escrevo sobre isso -, acho que me saí bem. Pelo feedback de familiares e amigos (que devemos sempre relativizar), mas também por aquilo que me foi chegando de alguns editores dos jornais e revistas a quem fiz chegar o trabalho.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Casa das Bifanas. Até nunca mais, seus pulhas!

Em plena Praça da Figueira, à hora de almoço, contemplo a esplanada da Casa da Bifanas: está cheia. Como estou com a rapariga e não tenho pressa resolvo entrar no reputado estabelecimento e sento-me. Um dos funcionários entrega-me o menu. É escusado consultá-lo. Digo-lhe que queremos bifanas, a iguaria que dá nome à casa. Como resposta, sou convidado a levantar-me: "Bifanas só ao balcão ou na esplanada. Nas mesas cá dentro só servimos almoços."
Portanto, na Casa das Bifanas pode sentar-se dentro do estabelecimento quem pedir uns secretos de porco preto, um peixe grelhado ou um arroz de tamboril. Já quem quiser bifanas (que, na opinião daquele simpático empregado, não podem ser consideradas almoço) leva um chuto no traseiro.
Incoerente, não?

domingo, 2 de junho de 2013

Os melhores tenistas em 2018

O conceituado jornal francês L'Equipe perspectivou como será o top 10 do ranking mundial do ténis em 2018. Apesar de reconhecer que é sempre um risco antever como será o topo do ATP dentro de cinco anos, acredito que a escolha poderia ter sido bem mais consensual.
Não sei com que bases chegaram a estes nomes, mas a confirmar-se esta escolha uma coisa é certa: a qualidade do ténis vai descer. E muito.

A lista é a seguinte:
1) Grigor Dimitrov
2) Benoit Paire
3) Andy Murray
4) Milos Raonic
5) Novak Djokovic
6) Kei Nishikori
7) Bernard Tomic
8) Ernests Gulbis
9) Jerzy Janowicz
10) Jack Sock

Como é possível constatar, faltam aqui dois nomes de vulto: Roger Federer e Rafael Nadal, o que não espantará quem está por dentro do assunto. É que em 2018 o suíço fará 37 anos e a data mais provável para a sua retirada do circuito é 2016, após o Jogos Olímpicos. Quanto a Nadal, os problemas no joelho esquerdo não lhe permitirão ter uma carreira longa. Em 2018 fará 32 anos e será uma sorte se ainda continuar no activo.
Andy Murray e Novak Djokovic, números dois e um do Mundo, respectivamente, mantêm-se no top 10, embora longe do fulgor de outros tempos. Terão 31 anos e, ao que me parece, mesmo reduzidos fisicamente terão ténis (principalmente o segundo) para superar qualquer um destes nomes. O L'Equipe acha o contrário.


O que eu acho de cada um destes nomes é o seguinte:

Grigor Dimitrov: Chamam-lhe Baby Federer devido às semelhanças com o tenista suíço no que ao estilo de jogo diz respeito, mas não levem isso muito a sério. Adiante: terá 27 anos em 2018. Hoje, aos 22, ocupa um modesto 28.º posto do ranking e ainda não conquistou qualquer título ATP. Com a sua idade, Federer já tinha conquistado três torneios do Grand Slam e era número 1. Já Nadal tornou-se número 1 mundial também aos 22 anos, altura em que já limpava o pó a cinco troféus do Grand Slam. Quanto a Djokovic e Murray, com a mesma idade já eram 3.º e 4.º colocados do ranking. Faz sentido perspectivar Grigor Dimitrov como melhor tenista mundial em 2018?

Benoit Paire: É francês e foi só por isso que o L'Equipe o colocou no segundo posto. O rapaz (26.º) até é talentoso, mas já não é propriamente um puto. Não tem nenhum título ATP e o saldo vitorioso é negativo (50-55). Tem 24 anos e duvido que faça muito melhor do que isto.

Andy Murray: Terá 31 anos em 2018 e, ao que tudo indica, uma mão cheia de torneios do Grand Slam. Deverá estar longe do seu melhor ténis - as lesões nos tornozelos são uma das suas maiores dores de cabeça - mas o top 5 parece-me ao seu alcance.

Milos Raonic: Há anos que se fala desta promessa canadiana. Tem 22 anos, quatro títulos ATP e ocupa o 16.º lugar do ranking. Está longe do nível que qualquer um dos nomes do chamado big four exibia com a sua idade mas, tendo em conta que mais de uma dezena dos tenistas que actualmente estão à frente terão mais de 30 anos (alguns retirados), é bem provável que o L'Equipe acerte neste prognóstico.

Novak Djokovic: À partida os próximos anos serão dele. E só será número 5 em 2018 se entretanto se fartar de ganhar. Como Andy Murray, terá 31 anos em 2018 e não ostentará a frescura de outros tempos. Mas será que isso é suficiente para ser superado por Raonic, Paire ou Dimitrov, o homem que acaba de trucidar em Roland Garros?

Kei Nishikori: Tem 23 anos e ocupa o 15.º posto do ranking. Já conta com três títulos ATP. Bate bem na bola, é um shot maker mas não tem estampa física para ser número 1. Talvez chegue ao nível de um David Ferrer (top 5), mas para isso acontecer este japonês ainda terá de comer muitos quilos de arroz.

Bernard Tomic: Desde Lleyton Hewitt (anda a fazer turismo há dez anos) que a Austrália não tem um representante digno. Bernard Tomic até tem umas prestações decentes, mas nos últimos meses deu um enorme trambolhão no ranking (já foi 27.º e agora é 61.º) Apesar disso, não tenho dúvidas de que tem ténis que lhe permita sonhar com um top 10. Tem 20 anos e, portanto, margem de progressão.

Ernests Gulbis: É capaz do melhor e do pior. Já venceu Federer e Djokovic e conseguiu encostar recentemente Nadal às cordas em terra batida. No entanto, a sua irregularidade dificilmente lhe permitirá furar um top 10 em 2018, ano em que completará 30 primaveras. Por agora ocupa um modesto 40.º lugar no ranking e nunca conseguiu sequer entrar no lote dos 20 melhores. É talentoso, mas se o talento bastasse David Ferrer nunca teria sido tenista.

Jerzy Janowicz: É um dos jogadores mais altos do circuito, com 2,03 metros. O L'Equipe acredita que estará no top 10 dentro de 5 anos e eu também. Actualmente é 23.º colocado e "basta-lhe" escalar 13 posições para lá chegar, o que já será um feito quase sem precentes. É que, se não me falha a memória, será apenas o segundo homem com mais de dois metros a figurar entre os dez melhores tenistas do Mundo.

Jack Sock: Os americanos matavam os franceses se fossem esquecidos.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Fontes de inspiração

Já aqui escrevi sobre a falta de criatividade da imprensa em Portugal em matéria de concepção de capas. Tirando dois ou três exemplos, nos quais incluo o jornal i e a revista Sábado, conservadorismo é a palavra de ordem. 
Hoje sou um leitor religioso da revista Sábado. Não deito nenhuma fora e estão todas (bem) arquivadas cá em casa. Apesar de as vendas ainda não o confirmarem - a Visão, muito graças aos seus assinantes e ofertas nos postos de combustível, ainda é líder no segmento - há muito que a Sábado é, na minha opinião, a melhor revista portuguesa. Ali há espaço quer para o bom jornalismo quer para o entretenimento, o que muito provavelmente até choca os paladinos do jornalismo conservador.
A Visão tem, nos últimos tempos, tentado combater a pasmaceira (gráfica e escrita) que tomou conta dos conteúdos da revista, razão essa que me levou a não renovar uma subscrição de dois anos. As capas estão mais apelativas, mas não sei se é justo dizer que estão a tornar-se originais. Porque ir beber a outras fontes não tem de ser necessariamente beber a fonte toda.

domingo, 12 de maio de 2013

Uma lição


Há semanas, um homem bem mais experiente do que eu contou-me como tem educado os dois filhos. Um deles, uma rapariga, está prestes a terminar o ensino secundário. O outro, um rapaz, já entrou na idade adulta. ´Eu não sou aquele tipo de pai que protege demasiado os filhos, sabes porquê?´ Permaneci em silêncio, à espera que ele prosseguisse com a sua explicação. ´Porque quero que eles se preparem para a vida sem condicionamentos. Estás a ver aquele buraco? Há pais que não deixam os filhos aproximarem-se dele, mas eu não sou esse tipo de pai. Se um dos meus filhos tivesse a curiosidade de se aproximar do buraco, dir-lhe-ia simplesmente para ter cuidado. Se caísse lá para dentro, ficaria a saber por que razão lhe tinha dito para ter cuidado. Não foi preciso pensar muito naquilo para chegar à conclusão de que a melhor das aprendizagens, aquela que perdura por mais tempo, é aquela que vivenciamos.
Vou ser sincero. Arrependo-me da última crónica que aqui escrevi, na qual dei o campeonato nacional praticamente entregue ao Benfica. Deixei-me levar não só pela onda de triunfalismo encarnado, mas também pelo desalento portista. Fiz o meu prognóstico. E falhei, como, arrisco dizer, falhou a grande maioria dos adeptos de futebol.
Ao contrário do que muitos possam julgar, não me custa assim tanto ver o Benfica perder campeonatos para o FC Porto. Tenho 24 anos e essa tem sido uma constante desde que vim ao Mundo. Sim, sou um especialista em digestão de perdas de campeonatos. Mas a perda deste é mais difícil de digerir. Pelo empate com o Estoril na Luz, pela derrota no Dragão nos últimos instantes e porque até os portistas mais optimistas já davam este campeonato entregue aos rivais.
Esta época serve de lição, para mim e para todos os benfiquistas. Como o rapaz que cai no buraco mesmo sabendo da sua existência, aprendemos (dolorosamente), que não há vencedores antecipados, ainda que já soubéssemos que os campeonatos só terminam no fim. E é por isso que não felicito já o FC Porto pela conquista de mais um título. Os campeonatos só terminam no fim.

sábado, 4 de maio de 2013

"A culpa não é minha"


É moda em Portugal fugir-se às responsabilidades. Quando em casa partimos um copo, o copo partiu-se. Quando temos alguma coisa chata para fazer, recorremos à procastinação. Na política ninguém assume culpas no cartório. A responsabilidade pela situação insustentável é sempre do anterior Governo e/ou da conjuntura económica.
No futebol, passa-se mais ou menos o mesmo. Em Portugal não há lugar para a assunção de incompetência. Com o aproximar do final da temporada e com o fracasso iminente, culpa-se tudo e todos. A estratégia, usada e gasta por Benfica e Sporting – fruto dos fracassos sucessivos de ambos os clubes – é este ano adoptada pelo FC Porto, o clube que (por ser melhor) mais tem ganho nas últimas três décadas.
Vítor Pereira é o rosto do desespero que grassa nas hostes azuis e brancas. Indignou-se com a arbitragem de João Capela no derby lisboeta como se de um responsável leonino se tratasse e agora desvaloriza a campanha europeia do Benfica, preferindo destacar a proeza que foi a eliminação dos seus pupilos aos pés do "poderosíssimo" Málaga. O técnico portista chega ao cúmulo de dizer que a sua equipa foi a única em Portugal com capacidade para passar a fase de grupos da Champions enquanto o rival está na Liga Europa porque fracassou na Liga Milionária.
Vítor Pereira tem razão. O Benfica está na Liga Europa porque se classificou em terceiro lugar na fase de grupos da Champions, assim como o seu clube chegou à Liga Europa na época transacta porque foi pior do que Zenit e Apoel, duas equipas europeias de topo.
A competição que Vítor Pereira parece agora subestimar é, caso não se recorde, a mesma que ganhou e festejou efusivamente enquanto adjunto de André Villas-Boas e, também, aquela da qual se despediu precocemente, alguns meses depois, com o segundo resultado combinado mais desnivelado dos 1/16 de final.
Apesar de garantir não estar preocupado com o seu futuro, as intervenções do ainda treinador do FC Porto transparecem o contrário. Campeão nacional na última temporada, nem isso o tornou uma figura consensual no seio dos adeptos portistas, mas ganhou crédito junto de Pinto da Costa, o homem com quem aprendeu a produzir e reproduzir discursos inflamados contra o rival lisboeta. Insiste em gabar o futebol dominador praticado pela sua equipa, não obstante o desastre que será a presente temporada, a primeira desde 2005 em que o clube azul e branco não vence qualquer competição (a Supertaça não entra nas contas). Perde o campeonato (está quase), as Taças de Portugal e da Liga e cai na Champions aos pés do sexto classificado da Liga Espanhola e culpa João Capela e outra arbitragens alegadamente tendenciosas a favor do Benfica. Afinal, de quem é mesmo a culpa, Vítor?

(Texto também disponível aqui )

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O dérbi

A jogada de Gaitán, a tabela com o Salvio e a finalização à Artur Jorge de Lima é um daqueles momentos que justifica o preço pago por um bilhete. É, por isso, uma pena que se fale mais dos alegados penáltis que ficaram por assinalar a favor do Sporting do que da obra-prima que foi aquele segundo golo do Benfica.
O Sporting foi um digno vencido. Bateu-se estoicamente, mas não alinho na opinião de Jesualdo Ferreira, que defende que a sua equipa foi melhor.
A mim parece-me que apenas uma equipa tentou ganhar o jogo. O Benfica, fiel às suas origens recentes. Um Benfica vertical, com Gaitán, Salvio, Lima e Cardozo lá na frente. Jesualdo esquematizou a sua equipa em função do onze adversário. É uma velha raposa do futebol e, pelos anos que leva disto, sabe perfeitamente que nunca poderia apresentar na Luz uma equipa balanceada para o ataque, sob pena de se arriscar a sair da casa do eterno rival com uma pesada derrota. Por isso, e porque este Sporting não tem mais soluções, optou por colocar dois jogadores ultra-defensivos à frente da linha mais recuada - Dier e Rinaudo. Isso explica a razão pela qual o Benfica não conseguiu ser tão acutilante como em outras ocasiões. Mais do que querer ganhar o jogo, o Sporting preocupou-se essencialmente em dificultar construção ofensiva do Benfica e conseguiu-o durante muito tempo.
Quanto à arbitragem, o Sporting sai com razões de queixa. Maxi faz penálti sobre Capel na primeira parte. Quanto aos restantes lances, não ficaria chocado se João Capela tivesse sancionado o toque de Maxi a Viola, mas os lances de Garay e Jardel parecem-me mais contactos promovidos pelos jogadores do Sporting.

Ontem, foi assim que vi o dérbi:










segunda-feira, 15 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Bochechas

Ouvi hoje Mário Soares dizer a Maria Flor Pedroso, em entrevista à Antena 1, que Portugal deve dizer que não paga a dívida. O antigo estadista deu o exemplo da Argentina, que em tempos se recusou a pagar a dívida contraída e que não lhe caiu o Carmo e a Trindade por isso. É bom saber que o homem que pôs Portugal na CEE compara o sistema político-social-económico-financeiro da Europa com o da América do Sul.
A malta tem de pagar, pá: precisa é de mais tempo para isso. Ou de um generoso desconto.
Cheira-me que o Bochechas é este tipo de comparsa:

- Caro amigo! Empresta-me aí 100 mil euros para comprar uns móveis e uns quadros para a minha Fundação.
- Claro. Depois de amanhã já os tens na tua conta. Quando estarás em condições de me pagar?
- Eu não falei em pagar. Que disparate o teu.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Danças

Nunca fui bom de danças. Verdade seja dita, sempre me desinteressei pelo tema. Nunca participei em aulas e das poucas vezes que me aventurei por algumas das variantes desta forma de expressão artística, fui um desastre absoluto. A dança exige rigor, precisão, repetição de sequências. E sequências não é comigo.
Do kuduro à valsa, eu confesso: sou um autêntico zero à esquerda, incapaz de repetir uma coordenação motora, com a cadência que se lhe é imposta, por mais básica que seja. Baralho-me. Troco o um-dois-três-um-dois-esquerda por qualquer coisa como um-dois-três-quatro-um-direita. O resultado? Pisadelas, caneladas e uma enorme frustração para a parceira.
Dançar uma valsa comigo - em modo "cinco whiskies" - é o mesmo que ser protagonista de uma rixa de rua. Já a minha técnica no kuduro assemelha-se às dificuldades que uma velhinha com dores crónicas agudas (nas costas e nas pernas) têm para atravessar a estrada. Não pretendo com isto ser engraçado, mas exemplificar o mais fielmente possível as minhas capacidades enquanto dançarino.
Alguém quer dançar comigo?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

NYmag XIII (final)

Assinalam-se hoje os 45 anos do lançamento da New York Magazine. Nos últimos meses foram publicadas algumas das melhores capas da história da revista. Tentei filtrar as mais originais e assumo que não fui bem sucedido na missão. A culpa? É da criatividade das pessoas que fizeram esta revista ao longo das últimas quatro décadas e meia.
Hoje, este blogue deixa cair o pano sobre esta rubrica com o "vale-tudo" que foram os primeiros tempos da NYmag. Tempos em que roubar leitores aos vizinhos era, mais do que importante, um imperativo de sobrevivência. As estratégias de marketing usadas (nas capas) eram deliciosas. Ora vejam:





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Incoerências

Não gosto de Lobo Antunes.
Mas também nunca li um livro seu.
É um erro julgarmos as pessoas por antecipação.
E os escritores também.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O que o futebol faz aos comentadores

"Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte e estou muito desapontado com isso. Posso assegurar-vos que é muito, muito mais importante do que isso." A reflexão que um dia Bill Shankly, histórico treinador do Liverpool, resolveu partilhar pode até ser exagerada para a maioria das pessoas, mas resume na perfeição como alguns quadrantes da sociedade vivem o desporto-rei.
Pois é. O futebol move paixões. Exacerbadas ao ponto de ser colocado não acima da própria vida mas, em muitos casos, da dignidade pessoal.
Agarrados ao cavalo, sapateiros, donos de cafés, psicólogos, médicos ou engenheiros, todos podem ser apanhados pela doença da bola que, sem contemplações, se entranha pelo hemisfério esquerdo - o responsável pelo raciocínio lógico -, sendo capaz de provocar curto-circuitos de média gravidade.
Há pouco, aconteceu com um advogado, de seu nome Dias Ferreira, que resolveu discutir com Paulo Garcia, apresentador do Dia Seguinte, e abandonar o programa em directo. A culpa? Do futebol, que lhe desligou alguns dos mais importantes disjuntores que transporta na sua marmita.
O caso de Dias Ferreira, figura incontornável no universo sportinguista, não é virgem em Portugal. De tempos a tempos, um comentador rói a corda. Chateado com outro comentador do painel, com o pivô, ou sabe Deus com quem.
Em 2010, depois de Rui Moreira ter batido com a porta em directo no programa Trio de Ataque, fiz um trabalho que recordava outros casos semelhantes na televisão portuguesa. Curiosamente, o senhor de hoje tinha espaço reservado em alguns episódios, dois deles com Rui Santos, figura única do programa Tempo Extra, que em tempos o aconselhou a frequentar uma consulta de psiquiatria. Em resposta, Dias Ferreira assumiu que em tempos chegou mesmo a procurar ajuda, acrescentando: "Fiz uma coisa que o senhor Rui Santos não sabe fazer, que é falar em grupo."
Um ano e meio depois, e ainda com algumas feridas por lamber, o representante do Sporting avaliou Rui Santos como um "produto de uma noite, ou dia, de completo descalabro.
Nesta altura, Dias Ferreira já era veterano no que a picardias diz respeito. Onze anos antes, em 1999, já se tinha envolvido numa acesa discussão com Pedro Baptista. O que se passou?
Fica aqui o relato do episódio e a versão do professor universitário à Focus 574.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

NYmagazine XII (especial parte II)

Na próxima semana, dia 8, assinalam-se os 45 anos do lançamento da New York Magazine. Era impossível compilar todas as capas brilhantes em cerca de três meses, o tempo que já leva esta iniciativa. Para tentar compensar um pouco as coisas, esta semana resolvi juntar algumas capas que a publicação dedicou a Richard Nixon. Seguem mais quatro.





NYmagazine XII (especial)

Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos entre 1969 e 1974, esteve envolvido numa série de escândalos durante a sua passagem pela Casa Branca. Acabou emaranhado numa teia que ele próprio teceu e é, até hoje, o único dos 44 presidentes norte-americanos que resignou.
Estas são apenas três das (muitas) capas que a New York Magazine lhe dedicou.
(Como podem ver, a originalidade tuga ainda não chega, na sua generalidade, aos calcanhares do que há quatro décadas se fazia do lado de lá do Atlântico.)




quinta-feira, 28 de março de 2013

Pela boca morre o peixe

Ele é o director de informação da TVI. Mas José Alberto Carvalho nem sempre foi à bola com o que se fazia por Queluz.
As voltas que a vida dá.

Sócrates

A entrevista de José Sócrates à RTP mostrou uma vez mais as razões pelas quais a sua relação com a classe jornalística esteve sempre longe de ser saudável. Para além das tentativas que empreendeu, enquanto primeiro-ministro, no sentido de limitar aquilo que os OCS traziam a público, sempre foi insuportável para qualquer entrevistador. Sócrates é um manipulador nato. Manipulou os portugueses em duas eleições (não pretendo alongar-me sobre este assunto) e manipula qualquer entrevista. Não é por acaso que Judite Sousa disse recentemente que o antigo PM foi o político mais difícil que teve pela frente ou que Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves, dois grandes jornalistas, foram incapazes de conduzir a conversa. Também estes foram batidos aos pontos por um Sócrates ardiloso e sagaz. Como sempre.

Uma entrevista de José Sócrates é mais ou menos assim:

- Senhor engenheiro, não acha que...
- Deixe-me terminar o meu raciocínio anterior...

- Não acha que cometeu erros graves durante a sua governação?
- Antes de lhe responder a essa pergunta, deixe-me frisar alguns aspectos que considero relevantes...

- Os erros graves, senhor engenheiro.
- Vamos lá a ver [e ele usa esta expressão muuuuuuuiitas vezes]. Há assuntos muito mais importantes do que isso. Como por exemplo, ...

E nisto passam-se 90 minutos.

Sócrates é um tacticista por excelência. Mestre na arte de queimar tempo. Sabia que durante uma hora e meia lhe seriam feitas muitas perguntas, algumas inconvenientes, que o encostariam à parede. Mas ele escapa-se por entre os dedos de qualquer jornalista. Não se recusa a responder a nenhuma pergunta. Finta-as uma, duas, enfim, as vezes que forem necessárias para vencer dois jornalistas - que têm o tempo contado e, portanto, a missão de colocar outras perguntas - pelo cansaço. E ele sabe gerir como ninguém as diversas fases de uma maratona.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sporting

Há dois anos as eleições do Sporting tiveram de tudo. Acusações graves entre candidatos, tentativas de agressão, a surreal conferência de Futre e muitas coisas mais. Com cinco homens a salivar pelo poleiro mais periclitante do futebol português, o ecossistema leonino transformou-se num fungagá, onde cada candidato fazia trinta por uma linha por subir nas sondagens.
Por isso, a campanha eleitoral rodou essencialmente em torno de assuntos secundários, de questiúnculas. Dias Ferreira prometia instalar cadeiras verdes em todo o estádio, Pedro Baltazar propunha-se a tapar o fosso, Bruno de Carvalho ia proibir que os jogadores actuassem com botas encarnadas, Abrantes Mendes prometia apresentar queixas-crime contra árbitros que errassem contra o Sporting e Godinho Lopes já tinha garantido acordos verbais com Hugo Almeida e (olhem só) Garay.
Todos prometiam mundos e fundos. Muitos milhões e glória europeia. Utopias.
A realidade, dois anos depois do acto eleitoral ganho por Godinho Lopes, é que o Sporting está agora bem pior. Salários em atraso, treinadores que não aquecem o lugar e uma equipa incapaz de se fixar na primeira metade da tabela classificativa.
Hoje, a prioridade imediata não passa por recolocar o Sporting na senda dos títulos, do cumprimento do legado dos Cinco Violinos. Passa, sim, por sobreviver. José Couceiro, de longe o candidato que mais sabe de futebol, tem essa consciência e Bruno de Carvalho, depois de ter morrido na praia há dois anos, parece mais lúcido, consciente da real dimensão e gravidade dos problemas que se têm disseminado em Alvalade. Já Carlos Severino parece viver numa outra realidade. Dos três, tinha tudo para ser aquele que melhor conhece o Sporting por dentro: foi director do departamento de comunicação entre 1998 e 2006. O seu programa não colhe junto dos adeptos, é um facto. Não por falta de ideias, mas por conter propostas em excesso, muitas delas confusas, de concretização duvidosa e numa lógica (descarada) de caça ao voto - não quer ser remunerado e, se ganhar, os jogadores estão proibidos de ter carros vermelhos. Nos primeiro debate que os três protagonizaram, ficaram patentes as razões pelas quais Severino é o elo mais fraco. Discursou de forma confusa e excessivamente egocêntrica. A dada altura chegou mesmo a afirmar que conhece o "Sporting como ninguém", isto depois de dizer que não sabia quais eram as percentagens que o Sporting detém sobre os passes dos jogadores.
Carlos Severino até pode ser o homem mais bem intencionado do Mundo. Pode estar melhor preparado do que ninguém para liderar o Sporting, mas a forma como se tem posicionado na campanha é um completo erro de casting. E vai pagar por isso.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O parque infantil deu lugar a cagadouro

Entre jogos de bola, subidas às árvores e descidas no escorrega, foi lá que passei grande parte da minha infância. Conheci aquele parque aos seis ou sete anos. Na altura, não era propriamente aquilo a que é convencionalmente chamado parque infantil. As árvores eram adornadas por bancos e o chão era de uma terra tão fina que escorria por entre os punhos das mãos. Tudo o que havia lá era isso e um portão espatifado que servia de baliza para os tais jogos de bola.
Não sei se alguém mexeu os cordelinhos junto da Câmara mas o que é facto é que poucos anos depois assisti a uma mexida mais ou menos profunda daquele parque. Foi instalado um escorrega XPTO, um portão novo, vedações novas, bem como relva e um enchimentos de uns 30 centímetros em gravilha.
Eu e mais quatro ou cinco amigos deixámos de jogar à bola no pó e passámos a fazê-lo naquele cascalho usado em obras, o que era óptimo. Permitia-nos tentar imitar as defesas de Preud'Homme ou Schmeichel sem ficarmos seriamente marcados.
Com o passar dos anos, o parque entrou em processo de decadência. Agora, no lugar do escorrega está apenas gravilha. E o espaço transformou-se numa espécie de aterro de dejectos animais. Num cagadouro animal, para ser mais exacto.
Desconheço se os senhores vereadores e outras sumidades da autarquia/freguesia visitam este espaço nos "subúrbios" de Grândola, mas se não têm interesse em revitalizar o espaço, sugiro que o transformem numa latrina gigante. Sempre se coaduna mais com o seu aspecto.

terça-feira, 19 de março de 2013

InBicta

"Sabes o que é que eu senti quando vim viver para o Porto? Que era como se estivesse em casa." Foi assim que a minha irmã resumiu o mais de meio ano que já leva na Invicta. E eu percebi as razões do seu bem-estar. Percebi tão bem que espero lá voltar em breve.
Quanto mais não seja por isto:

Francesinha do Santiago. Há quem diga que são as melhores da cidade. Não estou em condições para o confirmar, mas depois desta a fasquia ficou quase intransponível.


Bifana da Conga. Tem bom aspecto? Sabe melhor. (O cabelo estava à frente da lente e não no pão)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Insólitos no futebol

A Sábado desta semana traz um artigo com histórias de jogadores e treinadores portugueses que se fazem à vida naqueles que muitos consideram países terceiro-mundistas em termos futebolísticas. Os episódios são caricatos e vão desde o jogador que foi apanhado a cortar as unhas no banco de suplentes ao que perdeu o avião e passou dez horas num autocarro com galinhas.
Ao ler o artigo, lembrei-me de um trabalho, não muito diferente, que fiz há cerca de ano e meio. As diferenças: optei por reunir histórias insólitas de treinadores (só treinadores) portugueses na Ásia (só na Ásia). Falei com Ricardo Formosinho, José Rachão, Rui Almeida, Henrique Calisto, Helena Costa e com o grande Toni. As histórias, insólitas, espelham bem as diferenças - culturais, religiosas, organizacionais, etc. - entre esses países e o Ocidente. 
Helena Costa (no Qatar) foi confundida com a modelo e actriz com o mesmo nome e correu sérios riscos de ser despedida logo no primeiro dia, Formosinho ficou a saber que os jogadores não comiam banana em dias de jogo - caso o fizessem, parece que os espíritos se encarregariam de os fazer escorregar em campo -, Rui Almeida, numa Síria em estado de sítio, chegou a esperar três dias pelos jogadores no local de estágio e Calisto comeu rã, escorpião, rato, bebeu shots com sangue de cobra e só podia comparecer a funerais - que duravam até cinco dias - se levasse fruta ou vinho.
Apesar de o artigo ter uma abordagem leve, com traços vincados de comédia, houve quem recusasse partilhar uma das suas histórias. Aconteceu com um treinador por quem nutro uma forte estima. Não pela pessoa que é - porque não o conheço -, mas pelo futebol positivo que incute às equipas por onde passa, mesmo que o sucesso desportivo seja posto em causa. Receava que fosse mal interpretado pelos árabes, um povo conservador. Não sei dizer se foi prudente ou medroso, mas dou-lhe o benefício da dúvida. Só ele, que hoje treina a equipa a equipa portuguesa que mais nos tem surpreendido nos últimos cinco anos, saberá o que viveu no Médio-Oriente.


terça-feira, 5 de março de 2013

Ser despistado é fixe!

Bem sei que o estudo científico não foi divulgado ontem e que, entretanto, já circulou tantas e tantas vezes pelos murais do Facebook que acabou por tornar-se viral. Portanto, espero que a reacção de quem tiver a pachorra de ler esta prosa não seja "só agora?!".
Posto isto, terei, contudo (e já chega de rodeios), de fazer um apanhado geral sobre esta brilhante descoberta de três investigadores (dois de uma universidade norte-americana e um de um instituto suíço). E esta descoberta é que o pessoal despistado tem cérebros mais eficaz, uma conclusão que até me deixa aliviado.

Puxando o filme atrás, há coisa de um ano e tal aconteceu-me isto - a negrito sou eu:
"Estou sim?"
"Estou? É do departamento de comunicação do Sporting?"
"Não... É do departamento de comunicação do Benfica."

segunda-feira, 4 de março de 2013

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Ainda sobre Lisboa

No post anterior abordei superficialmente a razão para a minha não-lisbonização durante a faculdade. Essa razão poderia ser isto que irão ter o (des)prazer de contemplar nas fotos seguintes, mas não. Não se tratou de nenhum trauma, até porque andar vestido de Floribela durante uma semana a cantar "Não tenho nada..." é um dos sonhos de qualquer caloiro. São tesourinhos destes que nos fazem viver e, paradoxalmente, morrer. De vergonha.

Alguém devia estar a dizer-me que eu não era a pessoa mais ridícula daquela praxe
Esta não envolveu piada. Não gosto de momentos a solo. Tentei disfarçar o sorriso amarelo
Que figura mais triste. Pior do que a saia e os totós só mesmo as calças por dentro das meias
O grupo a marchar para a câmara de gás
Com a fronha no manto verde. A relva parecia limpinha. Pareciiiiia
A formação de uma boys band. Note-se que a minha madrinha era (é?) fanática pelos Backstreet Boys. Esta foi a sua singela homenagem ao quintento americano. Nós éramos um upgrade: seis!
Um ensaio dirigido pelo coreógrafo (Eduar)Dão, o padrinho da maioria dos caloiros do curso
Para a posteridade
Eu com a fã n.º 1 dos Backstreet Boys
No último dia de praxes. O espectáculo da pior boys band da história
Agarrado ao telemóvel. Um dia hei-de escrever sobre o que lhe aconteceu