quarta-feira, 13 de junho de 2012

Saramago, bicos e coisas parvas

Tenho a maior estima pelo saudoso José Saramago, mas já vi casas de alterne com nomes mais recatados. Casa dos Bicos? Bem sei que é um edifício com uma história de quase cinco centenas de anos e uma fachada que se assemelha à cara de um adolescente, mas tenho cá para mim que os bicos, esses, são praticados desde que Adão e Eva descobriram que as cegonhas não trazem bebés. Também não nascem de bicos, mas eles lá devem ter tentado até darem com a coisa.
Ainda que Saramago fosse ateu, não merecia que o seu espólio fosse exposto numa Casa dos Bicos. Deus não dorme. E é lixado.

PS: Proponho que a Casa dos Bicos passe a chamar-se Casa COM Bicos. Faz toda a diferença e assim as visitas nocturnas, nomeadamente de estrangeiros sequiosos de passaroca, diminuiriam. Afinal, como é que se explica a um americano - que acha que o povo português fala espanhol ou brasileiro - que na Casa dos Bicos está, afinal, exposta a obra L-I-T-E-R-Á-R-I-A de um prémio Nobel? 
A isto chama-se publicidade enganosa.

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