Há 12 anos estava eu em casa a vibrar com Portugal. Vulgarizámos os ingleses depois de lhes darmos dois de avanço, a cabeça de Costinha matou a Roménia e as nossas segundas linhas de massacraram a campeã europeia Alemanha. Seguiu-se a Turquia – então bem melhor do que esta que ontem ganhou 3-1 na Luz e que, dois anos depois, viria a ficar no pódio do Mundial da Coreia e do Japão. Nesse Europeu cheguei a acreditar que ninguém nos ia parar, nem mesmo a França, campeã mundial. Estava tão confiante que após a mão do Abel Xavier e a consequente conversão do penálti por Zidane aos 117 minutos, continuei a acreditar que seria possível a Nossa Selecção apurar-se para a final da prova não obstante o facto de se tratar de um golo de ouro.
Dois anos depois, transpirava-se confiança. Em vésperas de embarque para o Oriente, Durão Barroso, então primeiro-ministro, pediu o caneco a Figo, Rui Costa e companhia, mas a campanha nacional foi um desastre. Foi, aliás, uma excepção naquela que tem sido a melhor década da história do futebol nacional. Desde 2000, Portugal esteve presente em todas as competições internacionais, não atingindo a segunda fase apenas nessa ocasião. Pergunto-me até quantas mais selecções poderão gabar-se de ter atingido ou superado as meias-finais por três vezes (2000, 2004 e 2006) em seis anos?
Certo é que desde 2008 que se tem verificado um definhar do futebol praticado pela Nossa Selecção. Desde então, as qualificações para as fases finais têm sido sofríveis – valha-nos a Bósnia nos play-offs.
Desconheço as razões desta gradual perda de competitividade. Afinal, temos campeões europeus, campeões de Espanha, finalistas e vencedores da Liga Europa e, parecendo natural que não tenha o mesmo desempenho que em Madrid – afinal, a máquina é outra – não faço ideia por que razão CR7 não é decisivo na Selecção como o foi Figo há uns anos.
Estou longe de ser o mais pessimista dos portugueses mas, depois dos “acidentes” com a Macedónia e a Turquia, quem no seu perfeito juízo depositará os seus ovos no cesto de Portugal, num grupo onde estão presentes Alemanha e Holanda? Eu não.
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