terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hefner aplaude

Toda a gente se lembra da primeira edição da regressada Playboy portuguesa. E não propriamente pelas melhores razões. Em Maio passado, alguns meses depois de ter sido fotografada em topless para a capa da TV Guia, Rita Pereira aparecia mais vestida do que muitas mulheres que saem à rua na Sibéria durante o Inverno e, naturalmente, choveram críticas.
Fazendo de advogada do diabo, a direcção da publicação apressou-se a dizer que estava interessada em mudar o conceito da revista, criando um estilo que a diferenciasse das suas semelhantes. Esqueceram-se de um pormenor: tratando-se de um franchise, deviam respeitar o conceito norte-americano.
Se alguém achava que a explicação para a falta de ousadia da Ritinha residia num desacordo de verbas entre ambas as partes, a edição do mês seguinte da revista (com Dânia Neto) tratou de mostrar que o novo estilo editorial tinha vindo para ficar: a nova Playboy concorria agora com catálogos da Intimissimi e da Calzedonia.
À data, das 40 mil revistas que foram imprimidas, menos de metade chegou às mãos dos leitores. E não se pense que assistimos imediatamente a uma reconfiguração drástica da estratégia. Primeiro, cortou-se nas tiragens. O resultado: maior percentagem de publicações escoadas, mas menos vendas em banca.
Seguiram-se bons nomes na capa da Playboy. De mulheres que todos os homens (bem, a maioria deles) gostariam de ver despidas de preconceitos. E de roupa. Primeiro, a apresentadora Liliana Campos; depois, a actriz Joana Duarte. Mas o desperdício de recursos manteve-se até Outubro.
Não sei se os responsáveis da edição portuguesa entenderam finalmente qual deve ser o conceito da revista que têm em mãos, ou se Hugh Hefner ou algum dos seus assessores lhes apertou os tomates. A verdade é que no mês passado a populaça tuga foi, finalmente, brindada com uma verdadeira Playboy. A cota Marta Pereira foi a primeira capa digna de ser apresentada a amigos estrangeiros, ou não ficassem eles a pensar, pelo registo das anteriores, que somos mais pudicos que o papa Bento XVI. E a tendência manteve-se com a Raquel Henriques.
Confesso que tive um certo receio quando soube que era ela a capa deste mês. Afinal de contas, há uns meses andava a concorrer a um concurso de culturismo feminino com um corpo semelhante ao do Arnold Swarzenegger nas décadas de 70 e 80. Não sei se largou as bombas e as gemadas, mas está de parabéns. Voltou a ter um corpo feminino - e que corpo! - e é capaz de ter garantido a sustentabilidade da nossa Playboy. Que mais há a dizer?

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