segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Crónica de um regresso a Faro

Durante os três anos que passei na Universidade do Algarve conheci muita gente. Gente espectacular, gente boa, gente assim-assim e gente que Deus coloca no nosso apenas como forma de pagamento pela dádiva que Ele nos concedeu: viver.
Sexta-feira meti-me no comboio para Faro. Os planos? Passar uma noite com duas das pessoas que mais me marcaram até hoje. A I., uma rapariga cheia de garra. Estudiosa e determinada, já foi convidada para dar aulas na universidade, acaba de completar um mestrado, já ganhou prémios literários, editou livros e ajudou uma ou outra pessoa a acabarem os seus cursos. Tudo isto com 23 anos.
Nunca conheci ninguém que considerasse muito parecido comigo. Aliás, se conhecesse, acredito que não seria um dos seus grandes amigos. Gosto de pessoas diferentes: que me completam, de quem bebo as virtudes, e os defeitos. Todos esses ingredientes vão construindo um bolo. Um bolo que ainda está a ser concebido e cuja única certeza é a de que nunca agradará a todos: e esse bolo sou eu.
O A. é outro bolo. É daquelas pessoas de quem é impossível não se gostar. Toda a gente tem defeitos. Ora, ele também os tem, mas menos. Está no top das pessoas que conheci até hoje, talvez por o considerar tão diferente de mim. Não partilhamos os gostos pelo desporto, pela nicotina ou poesia e não lemos o mesmo tipo de livros. Mas sempre nos entendemos. Fomos ouvintes um do outro e vivemos grandes momentos naqueles três anos em Faro. Uma vez, uma colega nossa tentou, num jantar de curso, resumir a nossa relação de cumplicidade: parecíamos namorados, disse ela. Nada disso: ambos estávamos (e estamos) bem comprometidos e somos muito machos. 
Foi com satisfação que o vi quando desci do inter-cidades na estação de Faro e por confirmar que, apesar do pouco contacto que temos tido nos últimos tempos, a confiança que sempre tivemos um no outro mantém-se.

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