Há dois anos as eleições do Sporting tiveram de tudo. Acusações graves entre candidatos, tentativas de agressão, a surreal conferência de Futre e muitas coisas mais. Com cinco homens a salivar pelo poleiro mais periclitante do futebol português, o ecossistema leonino transformou-se num fungagá, onde cada candidato fazia trinta por uma linha por subir nas sondagens.
Por isso, a campanha eleitoral rodou essencialmente em torno de assuntos secundários, de questiúnculas. Dias Ferreira prometia instalar cadeiras verdes em todo o estádio, Pedro Baltazar propunha-se a tapar o fosso, Bruno de Carvalho ia proibir que os jogadores actuassem com botas encarnadas, Abrantes Mendes prometia apresentar queixas-crime contra árbitros que errassem contra o Sporting e Godinho Lopes já tinha garantido acordos verbais com Hugo Almeida e (olhem só) Garay.
Todos prometiam mundos e fundos. Muitos milhões e glória europeia. Utopias.
A realidade, dois anos depois do acto eleitoral ganho por Godinho Lopes, é que o Sporting está agora bem pior. Salários em atraso, treinadores que não aquecem o lugar e uma equipa incapaz de se fixar na primeira metade da tabela classificativa.
Hoje, a prioridade imediata não passa por recolocar o Sporting na senda dos títulos, do cumprimento do legado dos Cinco Violinos. Passa, sim, por sobreviver. José Couceiro, de longe o candidato que mais sabe de futebol, tem essa consciência e Bruno de Carvalho, depois de ter morrido na praia há dois anos, parece mais lúcido, consciente da real dimensão e gravidade dos problemas que se têm disseminado em Alvalade. Já Carlos Severino parece viver numa outra realidade. Dos três, tinha tudo para ser aquele que melhor conhece o Sporting por dentro: foi director do departamento de comunicação entre 1998 e 2006. O seu programa não colhe junto dos adeptos, é um facto. Não por falta de ideias, mas por conter propostas em excesso, muitas delas confusas, de concretização duvidosa e numa lógica (descarada) de caça ao voto - não quer ser remunerado e, se ganhar, os jogadores estão proibidos de ter carros vermelhos. Nos primeiro debate que os três protagonizaram, ficaram patentes as razões pelas quais Severino é o elo mais fraco. Discursou de forma confusa e excessivamente egocêntrica. A dada altura chegou mesmo a afirmar que conhece o "Sporting como ninguém", isto depois de dizer que não sabia quais eram as percentagens que o Sporting detém sobre os passes dos jogadores.
Carlos Severino até pode ser o homem mais bem intencionado do Mundo. Pode estar melhor preparado do que ninguém para liderar o Sporting, mas a forma como se tem posicionado na campanha é um completo erro de casting. E vai pagar por isso.
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