A ideia era simples: fazer um trabalho que reunisse histórias de violência de fiscais da EMEL. E, acreditava eu, eram muitas, tendo em conta que o fiscal da EMEL é uma das figuras de autoridade mais odiadas da cidade de Lisboa.
Pensei o trabalho e entreguei a proposta às chefias. Como muitas outras (não é uma queixa), não foi aceite. Porque o presidente da EMEL tinha, alguns meses antes, dado uma entrevista à revista e, também, porque uma jornalista (que entretanto abandonara a equipa) tinha feito um trabalho sobre as profissões mais odiadas - onde se encontrava a de fiscal da EMEL. Defendi que o âmbito do meu trabalho nada tinha que ver com os dois anteriores, mas fui aconselhado a, pelo menos, adiar a proposta os meses.
Entretanto, a revista foi fechada e essa proposta ficou pendurada. Perdida num documento do Word. Meio esquecida.
Há uns meses, enquanto fazia uma limpeza ao meu disco externo, reparei que nas várias pastas que.lá tinha encontravam-se vários documentos intitulados "Propostas". Umas já tinham sido concretizadas, outras recusadas. Algumas, talvez fruto de noites mal dormidas, embaraçaram-me tanto que nunca chegaram sequer a ser propostas.
Ora, num desses documentos encontrei a tal ideia dos fiscais da EMEL, um trabalho que terminei há algumas semanas e que foi publicado na revista Tabu, do semanário Sol, a 2 de Agosto.
Por ter a oportunidade de fazer tudo à minha maneira, foi um dos trabalhos que mais prazer me deu deste que me iniciei no jornalismo. E, pese embora todos os obstáculos que fui encontrando - um dia escrevo sobre isso -, acho que me saí bem. Pelo feedback de familiares e amigos (que devemos sempre relativizar), mas também por aquilo que me foi chegando de alguns editores dos jornais e revistas a quem fiz chegar o trabalho.

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