quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A espiral recessiva

Pode soar a ridículo dito por um puto de 24 anos, mas eu "ainda sou do tempo" em que muitos leitores se davam ao trabalho de enviar e-mails para as redacções das revistar apenas com o propósito de reclamar do excesso de páginas de publicidade.
Nas revistas masculinas, então, era o pão nosso de cada dia. Para o provar, e sem páginas coladas, tenho à minha frente uma Maxmen de Abril de 2008 (capa de Joana Duarte). Nessa altura, os tempos já não eram os melhores, mas, ainda assim, 37 das 148 páginas da revista não traziam outra coisa que não publicidade. Refira-se ainda que nesta breve consulta resolvi não contabilizar 'pubs' de 1/3 de página ou de meia página, que não eram assim tão poucas para merecerem o meu desprezo.
Ora, dediquei-me a comparar essa revista com a mais recente que tenho nos meus arquivos - a Maxim de Abril de 2012 - sim, confesso que as revistas masculinas não têm ganho muito dinheiro à minha pala. Tirando as publicidades travestidas de artigos, a edição, com 132 páginas e Bárbara Norton de Matos na capa, tem apenas nove (9) páginas de publicidade.
Que o mercado da publicidade está a definhar, já toda a gente sabe. E não está a definhar apenas na redução de páginas com anúncios, mas também no preço pago por página.
Portanto, menos fontes de receita levam a despedimentos; despedimentos significa redução do número de jornalistas; redução do número de jornalistas conduz ao aumento do volume de trabalho per capita; aumento do volume de trabalho tem reflexos na qualidade jornalística; qualidade jornalística mais baixa provoca quebras de vendas; quebras de vendas obrigam ao fecho de edições.
Será que a isto se pode chamar "espiral recessiva", senhor Presidente?

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