Claro que os observadores não actuam de forma isolada. Se alguns podem ser mesmo incompetentes, outros agem para agradar a outros agentes do futebol. Falo das associações, para quem é importante que os seus árbitros estejam sempre bem cotados. Ora, para as associações também é importante que os (seus) clubes façam boa figura no principal escalão do futebol nacional, nem que para isso precisem de um empurrãozinho.
Alguns árbitros e observadores entram no jogo. Afinal, são formigas quando comparadas a outras classes do universo futebolístico. Alguns, para sobreviverem (porque não são suficientemente bons), entram no sistema, como confirma o ex-observador António Guedes Carvalho, na reportagem que mencionei: "Há observadores que andam lá a fazer fretes."
Para quem conhece minimamente os bastidores do futebol, o conteúdo do trabalho do jornalista Carlos Rias não é assim tão surpreendente. Pelo menos, para mim não foi. Jorge Coroado disse-mo-lo há dois anos numa entrevista que recupero parcialmente:
As classificações dos árbitros eram viciadas?
Eram alteradas devido a interesses que existiam e que ainda existem. Hoje mesmo, ao nível da Federação, há um conluio surdo na atribuição de pontuações aos árbitros e sem responsabilidade do Conselho de Arbitragem. Os árbitros são beneficiados ou prejudicados por observadores, por defesa de interesses, por amizade entre árbitros e observadores, ou por interesses regionais.
Como assim?
Vontades de associações. São punidos árbitros de outras associações para que os que pertencem às suas sejam beneficiados.
Jacinto Paixão disse que o grande problema da arbitragem são os observadores.
Concordo com ele, mas também digo que são os árbitros. Ele nunca foi um bom árbitro e, por isso, pergunto como é que conseguiu chegar à I Divisão. Lá está: a proximidade entre árbitros e observadores faz uma mistura interessantíssima.
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