segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Relatos de futebol

Quando era (mais) puto, tinha um fascínio tremendo por relatos de futebol. O Benfica não dava todos os fins-de-semana em canal aberto e a Sport TV só entrou cá em casa em 2004, factores que contribuíram para que eu sintonizasse frequentemente a Antena 1, a Renascença ou o Rádio Clube Português no meu Walkman. A minha paixão pelas narrações arrebatadoras de jogos, pelas vozes de Perestrelo, Pedro Sousa, Nuno Matos ou Pedro Azevedo, foi crescendo ao ponto de tentar imitá-los.
Não raras vezes, a actividade sincronizada de indicadores e polegares em jogos como World Wide Soccer (Sega Saturn) e FIFA (no PC) era acompanhada por uma tentativa desconchavada de relato, situação que também sucedia em alguns jogos a sério. O resultado era... apavorante.
O relato é, reconheça-se, arte. E um puto imberbe, na pré-adolescência, não está apto a reproduzi-la, por mais boa vontade que tenha. Faltam-lhe aforismos, assinatura, acutilância. Enfim, falta-lhe quase tudo o que é preciso para um bom relato, cheio de elementos taquicardíacos.





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