Os primeiros tempos do curso correram bem. As aulas (a maioria) eram uma seca, mas o pessoal do curso compensava. Não raras vezes baldávamo-nos às aulas e ficávamos a jogar matraquilhos e a beber minis no Bar Novo, na altura a necessitar de profundas obras de melhoramento. Apesar desse laivo de rebeldia, nunca deixei qualquer cadeira para trás. As notas não eram brilhantes, mas safava-me sem dificuldades.
Nos meus tempos de estudante em Lisboa confesso que não me habituei à cidade. Em Dezembro, dois meses e tal após o início das aulas, já era um sufoco passar uma semana inteira na capital. O passar do tempo permitiu-me diagnosticar os motivos que tornaram a minha permanência em Lisboa numa autêntica tortura. Motivos esses que hoje, tenho a certeza, não me afectariam da mesma forma.
Sentia-me um bicho do mato em Lisboa e essa sensação foi-se agravando até meados de Junho, altura em que acabaram as aulas. Metade do meu cérebro encontrava-se em repouso e só era accionada quando entrava no Intercidades a caminho de Grândola. Metade de mim estava ausente numa cidade (quase) sempre em polvorosa.
Mas as luzes, as pessoas, o trânsito, o perigo, enfim, toda aquela energia cosmopolita não se contenta com metade de nós. Lisboa é cínica, sobranceira. Altiva. Lisboa exige-nos uma presença absoluta.
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