quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Lisboa

Setembro de 2006. Estava em Lisboa quando soube que tinha entrado no curso de Comunicação e Cultura, na Faculdade de Letras. Apesar de se tratar da minha terceira opção, fiquei satisfeito. Afinal de contas, já esperava que fosse parar àquele curso. A falta de rotinas de estudo nos 10.º e 11.º anos arruinaram as minhas probabilidades de entrar em Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Ciências da Comunicação, na Nova, ou em Comunicação Social, no ISCSP. Quando acordei para a necessidade de ter uma média relativamente robusta que me permitisse entrar naqueles dois ou três cursos que mais me interessavam, já era demasiado tarde.
Os primeiros tempos do curso correram bem. As aulas (a maioria) eram uma seca, mas o pessoal do curso compensava. Não raras vezes baldávamo-nos às aulas e ficávamos a jogar matraquilhos e a beber minis no Bar Novo, na altura a necessitar de profundas obras de melhoramento. Apesar desse laivo de rebeldia, nunca deixei qualquer cadeira para trás. As notas não eram brilhantes, mas safava-me sem dificuldades.
Nos meus tempos de estudante em Lisboa confesso que não me habituei à cidade. Em Dezembro, dois meses e tal após o início das aulas, já era um sufoco passar uma semana inteira na capital. O passar do tempo permitiu-me diagnosticar os motivos que tornaram a minha permanência em Lisboa numa autêntica tortura. Motivos esses que hoje, tenho a certeza, não me afectariam da mesma forma.
Sentia-me um bicho do mato em Lisboa e essa sensação foi-se agravando até meados de Junho, altura em que acabaram as aulas. Metade do meu cérebro encontrava-se em repouso e só era accionada quando entrava no Intercidades a caminho de Grândola. Metade de mim estava ausente numa cidade (quase) sempre em polvorosa. 
Mas as luzes, as pessoas, o trânsito, o perigo, enfim, toda aquela energia cosmopolita não se contenta com metade de nós. Lisboa é cínica, sobranceira. Altiva. Lisboa exige-nos uma presença absoluta. 
E eu hoje gosto de Lisboa.
É altamente provável que não me encontrem

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