A história da evolução humana é uma matéria que vem nos conteúdos programáticos da disciplina de História, no 7.º ano. Durante várias semanas - meses, talvez - os putos, hoje
homo sapiens sapiens, aprendem que os seus antepassados eram criaturas semelhantes aos actuais orangotangos, uma espécie que a comunidade cientista assegura ser o nosso parente mais próximo.
O certo é que somos produto de um processo evolutivo. Se há milhões de anos mal andávamos direitos, hoje nem precisamos de andar para nos deslocarmos. Hoje, uma chama está à distância de um simples gesto, mas em tempos ancestrais uma simples fumaça dava origem a uma guerra civil.
Tudo isto pode ser observado no filme intitulado "A Guerra do Fogo", que todos nós já devemos ter visto pelo menos uma vez na vida.
Ora, em "A Guerra do Fogo" dão-se também descobertas acidentais. O fogo é uma delas, bem como a música. Os nossos antepassados chegaram à conclusão de que era possível juntar sons, de forma mais ou menos ritmada, com o auxílio de uma moca, de uma pedra ou do próprio corpo. E evoluíram. Depois de esgotados os sons que a natureza lhes podia, no seu estado bruto, proporcionar, começaram a fabricar os seus próprios instrumentos. Usavam madeira, pele animal e algumas outras matérias-primas. Milhares de anos depois alguém descobriu que o ferro era maleável quando exposto a elevadíssimas temperaturas. Fabricaram-se objectos como nunca antes vistos. Foram inventados mais instrumentos musicais e a música deu um passo em frente. Surgiram Bach, Mozart, Beethoven e Chopin, quatro grandes nomes dos séculos XVIII e XIX que a transformaram (à música) em arte.
No século XX, a música chegou às grandes massas. Louis Armstrong, Ray Charles, Elvis, Sinatra e os Beatles tornaram-se fenómenos mediáticos. Para uns, eram autênticos deuses na Terra, assim como o seriam os Rolling Stones, os Pink Floyd e muitos, muitos outros artistas e "artistas".
Hoje, o conceito de música como arte banalizou-se. Banalizou-se porque qualquer pessoa pode, com o auxílio de uma série de aplicações, compor uma música. E qualquer um pode ser uma estrela. Basta ter uma carinha laroca, progenitores endinheirados e, não menos importante, que seja (preferencialmente) americano. A música banalizou-se ao ponto de que o que não presta é o que mais escutamos. O que não presta torna-se viral, uma tese ratificada por um conjunto de êxitos recentes que dão pelo nome de Gangnam Style (que o seu próprio intérprete confirma ser uma valente bosta) e, agora, por uma febre qualquer chamada Harlem Shake, onde grupos de pessoas gesticulam - ao som de uma sobreposição de sons semelhantes aos emitidos pela minha máquina de café - como se de autênticos australopitecos se tratassem.
Para onde estamos a ir?