Há coisa de três ou quatro anos um colega disse-me quantos livros tinha em casa. Não me recordo concretamente de quantos eram - sei que várias centenas -, mas lembro de lhe perguntar qual o livro que estava a ler. Disse-me que não sabia ao certo, o que me fez uma certa confusão. Começar a ler um livro, parar, começar outro, parar, começar ainda outro, parar, e depois retomar, quase aleatoriamente, a leitura de um desses livros que tinha deixado a meio era, para mim, um tremendo caos.
Esse amigo figura no lote daqueles que eu considero serem leitores compulsivos (selectivo, porém), daqueles que devoram livros de 500 páginas num fim-de-semana sem procederem à técnica da leitura diagonal. Conheço algumas pessoas assim e tiro-lhes o chapéu por terem a capacidade de fechar-se num mundo quase metafísico durante horas a fio, sem que nada as perturbe. Para essas pessoas, o único inconveniente do dia é ser tão curto. Se o planeta demorasse mais tempo a girar sobre si próprio, mais horas passariam a ler.
Não sou assim. Gosto de ler, mas distraio-me com facilidade. Ora é a televisão, ora são os carros que passam pela rua, ora é a mosca irritante que de minuto a minuto me testa a paciência. É isso: não consigo fechar-me nesse tal mundo durante horas a fio, mas já vou percebendo esse meu amigo que numa aparente desordem lê vários livros ao mesmo tempo.
Do local onde me encontro a redigir este texto à minha estante de livros dista cerca de um braço e meio. Posso, portanto, contemplar os que não terminei - denunciados pelos marcadores -, não por os considerar maus, mas por entender que outros seriam mais interessantes naquela altura. Porquê? Não sei bem. É tudo uma questão de espírito.
Em 2012 não terminei muitos livros, talvez por ter adoptado esta espécie de leitura que muitos consideram anárquica, mas todos eles valeram a pena. Até os que ficaram por acabar.
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