Foram precisos quase 20 anos para que a hegemonia bicéfala entre Benfica e FC Porto fosse quebrada. Depois de uma Taça de Portugal e de duas Taças da Liga conquistadas nos sete anos anteriores, o Sp. Braga de António Salvador chega, finalmente, ao tão almejado título de campeão nacional, juntando-se ao restrito lote onde só figuravam Benfica, FC Porto, Sporting, Belenenses e Boavista. "Há dez anos que somos presença assídua no pódio do futebol português. Se fôssemos tratados como os nossos rivais, este não tinha sido o primeiro campeonato do historial do Sporting Clube de Braga. Talvez agora nos passem a tratar com o respeito que merecemos", atirou o presidente dos Guerreiros do Minho desde 2003.
O feito do Sp. Braga não constituía a única mudança no panorama do futebol em Portugal nos últimos anos. A nível internacional, a selecção A, agora comandada por Paulo Sousa, falhara três das últimas quatro fases de apuramento para Europeus e Mundiais. Às ausências no Brasil e na Rússia juntou-se o fracasso na campanha para o Euro 2020, o primeiro disputado em vários países do velho continente. "Há anos que alertamos para as consequências da fraca aposta no jogador português. Com o definhar da capacidade de recrutamento, acabaram-se os Cristianos Ronaldos, os Figos e os Ruis Costas", desabafa um antigo internacional num programa televisivo.
A descida do patamar competitivo da equipa das quinas coincidiu com a saída de cena do Sporting da ribalta do futebol nacional. Depois de vários anos a lutar pela permanência na I Liga, a descida de divisão há muito profetizada pela opinião especializada cumpriu-se em 2015. Sob a égide de Bruno de Carvalho, o clube leonino passou duas épocas mergulhado no escalão secundário para regressar, em 2017, ao grupo dos melhores, ainda que a distância considerável dos primeiros. Com bases mais sólidas, em 2019 classificou-se em quarto lugar, o último que deu acesso às competições europeias.
Nesse ano, o Benfica sagrou-se tetracampeão nacional pela primeira vez na sua história. O título foi selado na penúltima jornada, na cidade Invicta, em pleno Estádio do Dragão. Desde 2015, ano em que Pinto da Costa abandonou a presidência do FC Porto depois de mais o título, que os azuis e brancos não conquistavam qualquer campeonato, registando-se já o maior jejum em quatro décadas. A rivalidade entre adeptos mantinha-se quente, embora as relações entre os presidentes dos dois clubes fossem, agora, cordiais. Após o fim do jogo, que terminou com um empate suficiente para as "águias", Antero Henrique endereçou méritos ao seu homólogo lisboeta, Rui Costa. O presidente dos encarnados, eleito no Verão do ano anterior, dedicou, lavado em lágrimas, o "tetra" a Eusébio da Silva Ferreira, falecido três semanas antes, aos 77 anos.
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