Foram precisos quase 20 anos para que a hegemonia bicéfala entre Benfica e FC Porto fosse quebrada. Depois de uma Taça de Portugal e de duas Taças da Liga conquistadas nos sete anos anteriores, o Sp. Braga de António Salvador chega, finalmente, ao tão almejado título de campeão nacional, juntando-se ao restrito lote onde só figuravam Benfica, FC Porto, Sporting, Belenenses e Boavista. "Há dez anos que somos presença assídua no pódio do futebol português. Se fôssemos tratados como os nossos rivais, este não tinha sido o primeiro campeonato do historial do Sporting Clube de Braga. Talvez agora nos passem a tratar com o respeito que merecemos", atirou o presidente dos Guerreiros do Minho desde 2003.
O feito do Sp. Braga não constituía a única mudança no panorama do futebol em Portugal nos últimos anos. A nível internacional, a selecção A, agora comandada por Paulo Sousa, falhara três das últimas quatro fases de apuramento para Europeus e Mundiais. Às ausências no Brasil e na Rússia juntou-se o fracasso na campanha para o Euro 2020, o primeiro disputado em vários países do velho continente. "Há anos que alertamos para as consequências da fraca aposta no jogador português. Com o definhar da capacidade de recrutamento, acabaram-se os Cristianos Ronaldos, os Figos e os Ruis Costas", desabafa um antigo internacional num programa televisivo.
A descida do patamar competitivo da equipa das quinas coincidiu com a saída de cena do Sporting da ribalta do futebol nacional. Depois de vários anos a lutar pela permanência na I Liga, a descida de divisão há muito profetizada pela opinião especializada cumpriu-se em 2015. Sob a égide de Bruno de Carvalho, o clube leonino passou duas épocas mergulhado no escalão secundário para regressar, em 2017, ao grupo dos melhores, ainda que a distância considerável dos primeiros. Com bases mais sólidas, em 2019 classificou-se em quarto lugar, o último que deu acesso às competições europeias.
Nesse ano, o Benfica sagrou-se tetracampeão nacional pela primeira vez na sua história. O título foi selado na penúltima jornada, na cidade Invicta, em pleno Estádio do Dragão. Desde 2015, ano em que Pinto da Costa abandonou a presidência do FC Porto depois de mais o título, que os azuis e brancos não conquistavam qualquer campeonato, registando-se já o maior jejum em quatro décadas. A rivalidade entre adeptos mantinha-se quente, embora as relações entre os presidentes dos dois clubes fossem, agora, cordiais. Após o fim do jogo, que terminou com um empate suficiente para as "águias", Antero Henrique endereçou méritos ao seu homólogo lisboeta, Rui Costa. O presidente dos encarnados, eleito no Verão do ano anterior, dedicou, lavado em lágrimas, o "tetra" a Eusébio da Silva Ferreira, falecido três semanas antes, aos 77 anos.
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
Se ao menos fosse governante...
É o homem do momento em Portugal. Dizia-se coordenador de um inexistente Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas e, com essa tanga, enganou dinossauros do jornalismo, instituições prestigiadas com interesse em escutá-lo, bem como a maioria dos portugueses. Apresentou-se como economista formado no ISCTE, consultor do Banco Mundial e professor numa universidade norte-americana que, afinal, não existe.
Depois de enganar tudo e todos, alguém descobriu que Artur Baptista da Silva é, afinal, um charlatão. E dos grandes. Hoje sabe-se que foi presidente do Conselho de Fiscalização do Sporting na Era Jorge Gonçalves - o homem que serviu de inspiração a patifes como Vale e Azevedo -, que esteve preso até há bem pouco tempo e que é bem conhecido nos corredores da PJ, que tem o seu nome em 18 processos-crime.
Baptista da Silva está metido em sarilhos grandes (e não é na localidade da margem sul do Tejo) e em breve deverá gozar de umas férias forçadas numa choldra algures em Portugal. Se ao menos gozasse de imunidade perante a lei ainda se safava. Como o Miguel que comprou uma licenciatura, o José que se tornou engenheiro a um domingo, o Aníbal que promulga documentos inconstitucionais e o Vítor, o rei mago, que assina portarias com base em leis inexistentes. Se ao menos fosse governante...
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Obras de arte
Num dia de nevoeiro procurava-se Dom Sebastião, mas foi esta a nossa sorte. Uma obra capaz de fazer corar Souto Moura ou Siza Vieira. Numa espécie de ZIL desactivada em Setúbal.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Retrospectiva de um ano
O fim do ano é época de balanços. Na imprensa fala-se dos que deixaram este Mundo, lembram-se os acontecimentos políticos mais importantes e, entre muitas outras coisas, enfatizam-se aqueles que mais se destacaram nos 12 meses anteriores.
Nós, de forma muito ou pouco profunda, fazemos exercícios retrospectivos não muito diferentes. Lembramos os que partiram e os que chegaram às nossas vidas, aqueles que nos ajudaram e os que nos deixaram ficar mal, as portas que se abriram e as que se fecharam.
O ano que está prestes a terminar não figura no lote dos melhores da minha existência. Mas, porque estará umbilicalmente ligado a mim para sempre, não vou deixar de usar as coisas más como ensinamentos para a vida. Quanto às coisas boas, tentarei conservá-las.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Leitores compulsivos
Há coisa de três ou quatro anos um colega disse-me quantos livros tinha em casa. Não me recordo concretamente de quantos eram - sei que várias centenas -, mas lembro de lhe perguntar qual o livro que estava a ler. Disse-me que não sabia ao certo, o que me fez uma certa confusão. Começar a ler um livro, parar, começar outro, parar, começar ainda outro, parar, e depois retomar, quase aleatoriamente, a leitura de um desses livros que tinha deixado a meio era, para mim, um tremendo caos.
Esse amigo figura no lote daqueles que eu considero serem leitores compulsivos (selectivo, porém), daqueles que devoram livros de 500 páginas num fim-de-semana sem procederem à técnica da leitura diagonal. Conheço algumas pessoas assim e tiro-lhes o chapéu por terem a capacidade de fechar-se num mundo quase metafísico durante horas a fio, sem que nada as perturbe. Para essas pessoas, o único inconveniente do dia é ser tão curto. Se o planeta demorasse mais tempo a girar sobre si próprio, mais horas passariam a ler.
Não sou assim. Gosto de ler, mas distraio-me com facilidade. Ora é a televisão, ora são os carros que passam pela rua, ora é a mosca irritante que de minuto a minuto me testa a paciência. É isso: não consigo fechar-me nesse tal mundo durante horas a fio, mas já vou percebendo esse meu amigo que numa aparente desordem lê vários livros ao mesmo tempo.
Do local onde me encontro a redigir este texto à minha estante de livros dista cerca de um braço e meio. Posso, portanto, contemplar os que não terminei - denunciados pelos marcadores -, não por os considerar maus, mas por entender que outros seriam mais interessantes naquela altura. Porquê? Não sei bem. É tudo uma questão de espírito.
Em 2012 não terminei muitos livros, talvez por ter adoptado esta espécie de leitura que muitos consideram anárquica, mas todos eles valeram a pena. Até os que ficaram por acabar.
Esse amigo figura no lote daqueles que eu considero serem leitores compulsivos (selectivo, porém), daqueles que devoram livros de 500 páginas num fim-de-semana sem procederem à técnica da leitura diagonal. Conheço algumas pessoas assim e tiro-lhes o chapéu por terem a capacidade de fechar-se num mundo quase metafísico durante horas a fio, sem que nada as perturbe. Para essas pessoas, o único inconveniente do dia é ser tão curto. Se o planeta demorasse mais tempo a girar sobre si próprio, mais horas passariam a ler.
Não sou assim. Gosto de ler, mas distraio-me com facilidade. Ora é a televisão, ora são os carros que passam pela rua, ora é a mosca irritante que de minuto a minuto me testa a paciência. É isso: não consigo fechar-me nesse tal mundo durante horas a fio, mas já vou percebendo esse meu amigo que numa aparente desordem lê vários livros ao mesmo tempo.
Do local onde me encontro a redigir este texto à minha estante de livros dista cerca de um braço e meio. Posso, portanto, contemplar os que não terminei - denunciados pelos marcadores -, não por os considerar maus, mas por entender que outros seriam mais interessantes naquela altura. Porquê? Não sei bem. É tudo uma questão de espírito.
Em 2012 não terminei muitos livros, talvez por ter adoptado esta espécie de leitura que muitos consideram anárquica, mas todos eles valeram a pena. Até os que ficaram por acabar.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
A vida é assim. Para mim
Primeiro a voz, o acne e depois os pêlos que denunciam que o puto imberbe está a transformar-se num homem hirsuto. Depois, a balança cruel, as dores crónicas em zonas nevrálgicas do corpo, a pele flácida, o cabelo que cai. O definhar do amontoado de ossos que nos compõe, a uns mais bonitos do que a outros, prossegue. Até chegarmos ao fim da linha.
Estamos em constante mutação. Se o tentarmos negar, há sempre alguém que nos lembra: "Há quanto tempo que eu não te via! Estás diferente, pá!" E, a partir de uma certa fase da nossa passagem, dificilmente mudamos para melhor. Pelo menos fisicamente.
Se é verdade que o Homem se vai tornando fisicamente desinteressante - há quem diga que é quando chega às idades dos "entas" - também não é mentira que dispõe de mais ferramentas à medida que os anos passam. Torna-se mais astuto, calculista, atento. Mais inteligente. Torna-se, em rigor, melhor e nem são precisos anos de vida para o transformarem.
E eu, do alto da pouca sabedoria que os meus 24 anos me conferem, reconheço-o.
Experiências más, livros que lemos, histórias que ouvimos, conselhos que recebemos. Os caminhos que seguimos, as decisões que tomamos têm como base decisória as nossas experiências passadas.
Se em tempos apanhaste em flagrante duas namoradas (ambas loiras) em plena cópula com um fulano qualquer, é normal que nutras uma certa repugnância por mulheres loiras; se não percebeste um corno do primeiro livro que leste do António Lobo Antunes, não terás muito interesse em ler um segundo ainda que este já repouse na tua estante de livros; se um dos teus bons amigos se mete constantemente em alhadas nas saídas à noite, é crível que comeces a recusar alguns dos seus convites; e por aí fora.
Porém, quem sabe se um dia não estarás interessado em reler o tal livro do Lobo Antunes ou voltar a comer sushi depois de uma má experiência? Quem sabe se a mulher da tua vida não é mesmo uma loira de seios protuberantes, olhar arrebatador e, ainda por cima (!), fiel?
A vida é assim mesmo, volúvel: por mais experiências que se vivam, livros que se leiam e histórias que se oiçam.
E eu, do alto da pouca sabedoria que os meus 24 anos me conferem, reconheço-o.
Experiências más, livros que lemos, histórias que ouvimos, conselhos que recebemos. Os caminhos que seguimos, as decisões que tomamos têm como base decisória as nossas experiências passadas.
Se em tempos apanhaste em flagrante duas namoradas (ambas loiras) em plena cópula com um fulano qualquer, é normal que nutras uma certa repugnância por mulheres loiras; se não percebeste um corno do primeiro livro que leste do António Lobo Antunes, não terás muito interesse em ler um segundo ainda que este já repouse na tua estante de livros; se um dos teus bons amigos se mete constantemente em alhadas nas saídas à noite, é crível que comeces a recusar alguns dos seus convites; e por aí fora.
Porém, quem sabe se um dia não estarás interessado em reler o tal livro do Lobo Antunes ou voltar a comer sushi depois de uma má experiência? Quem sabe se a mulher da tua vida não é mesmo uma loira de seios protuberantes, olhar arrebatador e, ainda por cima (!), fiel?
A vida é assim mesmo, volúvel: por mais experiências que se vivam, livros que se leiam e histórias que se oiçam.
sábado, 15 de dezembro de 2012
A doença americana
![]() |
| O atirador em 2005 |
Uma vez mais, o tema do fácil acesso a armas de fogo por parte da população americana vem à baila. Ao longo dos anos já nos habituaram a estes massacres, de maiores ou menores proporções mas sempre chocantes.
Quer-me parecer que os americanos, sempre na linha da frente quando se trata de mudar o Mundo (para melhor, dizem), ainda têm muito para fazer dentro de portas.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Somos todos iguais
De tempos a tempos, todos nós encontramos pessoas que nos fazem sentir uma merda. Pessoas que nos sugam a auto-estima, que nos fazem sentir miseráveis, um monte de esterco, ou apenas inferiores.
Pode ser o chefe através do seu constante circunlóquio de insultos, o professor que nunca está contente com nada, o sogro que passa a vida a dizer que a filha devia ter casado com o filho dos melhores amigos, ou simplesmente alguém que consideramos ter um ascendente psicológico sobre nós por uma qualquer razão que nem sabemos especificar.
Essas pessoas, por mais diferentes que sejam entre si - e por mais distintos que sejam os motivos do nosso desconforto - causam em nós sensações não muito distintas.
Tentamos lutar contra elas. E contra nós próprios. Contra as palavras que não saem, os pensamentos que não conseguimos reproduzir e contra as imprecações que aflitivamente queremos soltar mas que ficam, tudo porque um estupor filho da mãe nos interrompeu momentaneamente o canal que liga o cérebro ao nosso aparelho emissor e que nos toldou parte do raciocínio.
Há pessoas que têm este efeito em nós. Fazem-nos sentir a derradeira presa da caçada. Impotentes. Encurralados no fundo de um poço fétido. Frustrados. Sim, frustrado será o adjectivo mais adequado.
Talvez numa tentativa de garantirmos o equilíbrio emocional do pequeno ecossistema que habita dentro de nós, tendemos a adoptar a estratégia, inconsciente e errada, de descarregar as nossas frustrações nas pessoas que nos são mais próximas.
No fundo, não somos assim tão diferentes dos outros.
Pode ser o chefe através do seu constante circunlóquio de insultos, o professor que nunca está contente com nada, o sogro que passa a vida a dizer que a filha devia ter casado com o filho dos melhores amigos, ou simplesmente alguém que consideramos ter um ascendente psicológico sobre nós por uma qualquer razão que nem sabemos especificar.
Essas pessoas, por mais diferentes que sejam entre si - e por mais distintos que sejam os motivos do nosso desconforto - causam em nós sensações não muito distintas.
Tentamos lutar contra elas. E contra nós próprios. Contra as palavras que não saem, os pensamentos que não conseguimos reproduzir e contra as imprecações que aflitivamente queremos soltar mas que ficam, tudo porque um estupor filho da mãe nos interrompeu momentaneamente o canal que liga o cérebro ao nosso aparelho emissor e que nos toldou parte do raciocínio.
Há pessoas que têm este efeito em nós. Fazem-nos sentir a derradeira presa da caçada. Impotentes. Encurralados no fundo de um poço fétido. Frustrados. Sim, frustrado será o adjectivo mais adequado.
Talvez numa tentativa de garantirmos o equilíbrio emocional do pequeno ecossistema que habita dentro de nós, tendemos a adoptar a estratégia, inconsciente e errada, de descarregar as nossas frustrações nas pessoas que nos são mais próximas.
No fundo, não somos assim tão diferentes dos outros.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
A amiga do Moretto
Num centro comercial, dois indivíduos passam por uma banca de promoção a um recém-lançado produto da Martini. Uma das senhoras é brasileira e oferece os seus préstimos - leia-se, dar a provar a referida bebida.
Conversa puxa conversa e, ou não fosse dia de dérbi, acaba-se a falar de futebol. Para além disso, a rapariga nutre uma certa simpatia pelo Benfica.
- Çeis sábem umá coisá? Eu conhêço um antchigo jogádorr do Benfica.
- Ai sim? Quem é?
- O Moretto!
- Iiiiiiihhhh, o Moretto. Grande guarda-redes! - mente cordialmente um dos rapazes.
- Qui nádá! Elhi é frangueeeeeiiiiroooooooo. Àis vezis lhi mando vídeos dêlhi, a gozárr.
- Estava a tentar ser simpático, mas você tem razão. É mauzinho, sim...
Nisto, o outro rapaz interrompe.
- Pior do que ele só mesmo o Roberto. É possível fazer um best of com os dez maiores frangos dele numa só época.
É verdade. Não é à toa que ele ficou conhecido no futebol português como Franguetto. E só de pensar que ele esteve a uma unha negra do FC Porto até fico com urticária.
Conversa puxa conversa e, ou não fosse dia de dérbi, acaba-se a falar de futebol. Para além disso, a rapariga nutre uma certa simpatia pelo Benfica.
- Çeis sábem umá coisá? Eu conhêço um antchigo jogádorr do Benfica.
- Ai sim? Quem é?
- O Moretto!
- Iiiiiiihhhh, o Moretto. Grande guarda-redes! - mente cordialmente um dos rapazes.
- Qui nádá! Elhi é frangueeeeeiiiiroooooooo. Àis vezis lhi mando vídeos dêlhi, a gozárr.
- Estava a tentar ser simpático, mas você tem razão. É mauzinho, sim...
Nisto, o outro rapaz interrompe.
- Pior do que ele só mesmo o Roberto. É possível fazer um best of com os dez maiores frangos dele numa só época.
É verdade. Não é à toa que ele ficou conhecido no futebol português como Franguetto. E só de pensar que ele esteve a uma unha negra do FC Porto até fico com urticária.
Tesourinhos
"Não gosto do Sporting. No meu bairro, era o clube da elite, da polícia e dos racistas." As declarações de Eusébio há pouco mais de um ano, na Revista Única do Expresso, não caíram bem no seio da comunidade sportinguista. Muitos disseram que o antigo jogador do Benfica estava senil e houve quem levantasse a hipótese da entrevista ter sido realizada depois de almoço.
Poucas semanas depois, estava eu na Hemeroteca e encontrei uma entrevista de Dinis, extremo leonino na década de 70 e que tanta falta faria hoje a Vercauteren. O jogador angolano não confirmou a versão de Eusébio, mas assegurou que havia racismo no Sporting. E não era no de Lourenço Marques.
Poucas semanas depois, estava eu na Hemeroteca e encontrei uma entrevista de Dinis, extremo leonino na década de 70 e que tanta falta faria hoje a Vercauteren. O jogador angolano não confirmou a versão de Eusébio, mas assegurou que havia racismo no Sporting. E não era no de Lourenço Marques.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
"Dizem que são loucos da cabeça"
"Quer ir ver o jogo? Então, se quer, abstenha-se desses comentários", atirou o agente da PSP. Pouco faltava para as 18 horas quando integrei, com mais dois amigos, o cortejo perto da entrada do Estádio da Luz pelo Alto dos Moinhos e a coisa já prometia. Contra as minhas reservadas expectativas, a viagem - ora a trote, ora a galope, ora com algumas paragens pelo meio - fez-se bem.
Não que toda a gente se tenha portado bem. Há animais em qualquer grande grupo, seja qual for a sua génese, mas convém dizer que, nas claques de futebol, a amostra é relativamente elevada. Sucedem-se os rebentamentos de petardos e acumulam-se as picardias entre adeptos e agentes da PSP, num ambiente que chega até a ser crispado entre os apoiantes do Benfica.
A imprensa de hoje noticia que houve vários feridos durante os festejos do primeiro golo, que uma das casas de banhos do Estádio de Alvalade foi destruída e que alguns adeptos foram identificados pelas autoridades. Um novo cântico dos NN pinta bem - ainda que de forma não propositada - a natureza de alguns indivíduos, embora eu acredite que sejam uma minoria: "Dizem que somos loucos da cabeça", ouve-se a certa altura.
Tirando isso, e porque o Benfica ganhou, gostei da experiência.
Ontem foi assim:
Não que toda a gente se tenha portado bem. Há animais em qualquer grande grupo, seja qual for a sua génese, mas convém dizer que, nas claques de futebol, a amostra é relativamente elevada. Sucedem-se os rebentamentos de petardos e acumulam-se as picardias entre adeptos e agentes da PSP, num ambiente que chega até a ser crispado entre os apoiantes do Benfica.
A imprensa de hoje noticia que houve vários feridos durante os festejos do primeiro golo, que uma das casas de banhos do Estádio de Alvalade foi destruída e que alguns adeptos foram identificados pelas autoridades. Um novo cântico dos NN pinta bem - ainda que de forma não propositada - a natureza de alguns indivíduos, embora eu acredite que sejam uma minoria: "Dizem que somos loucos da cabeça", ouve-se a certa altura.
Tirando isso, e porque o Benfica ganhou, gostei da experiência.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
O dia em que o Mundo perdeu um futuro hoquista
Não tinha mais do que seis anos. Se a memória não me atraiçoa, tinha cinco. O Carlos da funerária, que sempre tratei como "O Carlos das mobílias", era um sportinguista inveterado. Sempre que me via, talvez para picar os meus entes próximos, lançava várias tentativas para me converter à equipa leonina. As tentativas de lavagem cerebral consistiam na oferta de adereços alusivos ao clube verde e branco: lembro-me de ter recebido um porta-chaves, mas acredito que o suborno não se tenha ficado por aí. Se passasse a pente fino as catacumbas cá de casa, talvez encontrasse uma caneta, um pisa-papéis com um leão lá dentro ou galhardete.
Empolgado pelos sucessos do hóquei juvenil de Grândola, certo dia pedi à minha mãe que me levasse a treinar com os putos da equipa de hóquei cá da terra, orientada pelo Carlos. Os treinos ainda eram num pavilhão do Parque de Feiras e Exposições e quando lá cheguei a criançada já patinava, de stick em riste, às voltas do rinque. Rapidamente, calcei os patins. Ardiloso, o Carlos das mobílias atirou-me com um par de joelheiras e cotoveleiras... verdes. O cachopo entendeu aquilo como uma provocação grotesca, fez birra e resolveu desistir antes sequer de ter começado.
Perdeu-se um potencial Panchito Velasquez.
Empolgado pelos sucessos do hóquei juvenil de Grândola, certo dia pedi à minha mãe que me levasse a treinar com os putos da equipa de hóquei cá da terra, orientada pelo Carlos. Os treinos ainda eram num pavilhão do Parque de Feiras e Exposições e quando lá cheguei a criançada já patinava, de stick em riste, às voltas do rinque. Rapidamente, calcei os patins. Ardiloso, o Carlos das mobílias atirou-me com um par de joelheiras e cotoveleiras... verdes. O cachopo entendeu aquilo como uma provocação grotesca, fez birra e resolveu desistir antes sequer de ter começado.
Perdeu-se um potencial Panchito Velasquez.
Onde é que eu já vi isto?
A verdade é que o Benfica esteve a um passo de se tornar na
primeira equipa a sair vitoriosa de Camp Nou para a Champions desde que os
catalães foram surpreendidos em 2009 pelos russos do Rubin Kazan, e de se
juntar, assim, ao FC Porto nos oitavos de final da Liga milionária.
Faltou acerto. Da desinspirada dupla de ataque – ficou mais
uma vez patente que Lima e Rodrigo não são compatíveis – e de Jorge Jesus, que
terá depositado mais esperanças no Spartak de Moscovo do que na sua própria
equipa, ao abdicar dos dois jogadores mais adiantados do terreno.
Acontece que Jesus pagou caro pela sua falta de audácia. O
Celtic colocou-se novamente em vantagem e então, sem Lima nem Rodrigo e com
Cardozo sozinho na frente e encaixado entre Piqué e Puyol, só um deslize pouco
habitual – até mesmo para um Barcelona “pouco sério”, parafraseando Cervan –
daria a vitória à equipa lisboeta.
Do mal, o menos, o Benfica segue para a Liga Europa, não
deixando o FC Porto precocemente órfão nas lides europeias, como de resto tem
acontecido em tantas ocasiões. E Jesus, qual profeta, já assumiu que a sua
equipa é candidata a vencer a competição, assim como – acrescento eu – as três
frentes a nível interno. Onde é que eu já vi esta história?
Também aqui:
Também aqui:
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Como a cannabis está a ajudar Mykayla Comstock
Esta é a história de uma criança que há poucos meses descobriu que tinha leucemia. Para mitigar os efeitos da quimioterapia, Mykayla Comstock, de sete anos, consome diariamente um grama de óleo de cannabis por aconselhamento médico.
Uma onda de polémica tem-se gerado em torno deste caso. O primeiro oncologista encarregado de seguir a criança criticou os pais depois de descobrir que, paralelamente à quimioterapia, ela estava a ser tratada com cannabis e, segundo algumas investigações, o uso regular desta substância antes dos 18 anos pode dar origem a problemas neurológicos irreversíveis.
A verdade é que a criança não só tem resistido melhor aos efeitos da quimioterapia - gosta da forma como a cannabis a faz rir -, como a doença já se encontra em fase de remissão.
A história completa está aqui
Uma onda de polémica tem-se gerado em torno deste caso. O primeiro oncologista encarregado de seguir a criança criticou os pais depois de descobrir que, paralelamente à quimioterapia, ela estava a ser tratada com cannabis e, segundo algumas investigações, o uso regular desta substância antes dos 18 anos pode dar origem a problemas neurológicos irreversíveis.
A verdade é que a criança não só tem resistido melhor aos efeitos da quimioterapia - gosta da forma como a cannabis a faz rir -, como a doença já se encontra em fase de remissão.
A história completa está aqui
Memórias de Faro I
Dois amigos vêm da noite. Da baixa passam pela Lisbonense, pelo Estádio de São Luís, rotunda do hospital... Ainda faltam umas centenas de metros para chegarem ao aconchego das suas casas e, depois de uma noite regada a cerveja, um deles decide que é imperativo aliviar a bexiga. Na esquina de um prédio em frente a uma escola primária, desaperta o cinto e desabotoa as calças. Enquanto corre o fecho para baixo, chega um carro da PSP com dois agentes lá dentro. O que está à pendura abre o vidro e inicia um diálogo que não dura mais do que breves segundos, mas que é interessante.
- O que é que o senhor estava a fazer? - indaga o agente.
- Nada - responde o artista.
- Nada?
Sentindo-se entalado, o rapaz resolve abrir o jogo. Escolhe cautelosamente as palavras.
- Eu ia urinar.
- Ai ia urinar? Então e porque é que não urinou?
- Porque vi os senhores agentes e achei que era melhor aguentar.
Prontamente surgiu a resposta do PSP.
- É que ia dizer-lhe para que não se esquecesse de puxar o autoclismo.
E foram à vida deles.
- O que é que o senhor estava a fazer? - indaga o agente.
- Nada - responde o artista.
- Nada?
Sentindo-se entalado, o rapaz resolve abrir o jogo. Escolhe cautelosamente as palavras.
- Eu ia urinar.
- Ai ia urinar? Então e porque é que não urinou?
- Porque vi os senhores agentes e achei que era melhor aguentar.
Prontamente surgiu a resposta do PSP.
- É que ia dizer-lhe para que não se esquecesse de puxar o autoclismo.
E foram à vida deles.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O fascista Álvaro Cunhal
Não sou comunista, e bem sei que o Expresso não é um jornal de esquerda, mas é chocante ver absurdos destes escritos num meio de referência.
Recorde-se que Cunhal, entre outras detenções, esteve preso entre 1949 e 1960. Ora, seguindo a linha de raciocínio deste ilustre comentador, o antigo líder do PCP, um fascista ostracizado por fascistas, era, na verdade, masoquista.
É nestas alturas que o mecanismo do lápis azul devia ser reactivado.
Se achas o CR7 rápido, então ainda não viste tudo!
O jogo contra o Atlético de Madrid, no Santiago Bernabéu, marcou os regressos do Real às vitórias e de Cristiano Ronaldo às grandes exibições.
Parece que, para além do golo e da assistência, o rapaz ainda alcançou a proeza de percorrer quase cem metros em dez segundos, numa altura em que o jogo já estava perto do fim.
Duas horas e meia antes do jogo começar, vi alguém que julgava ser um dos seus sósias numa loja de calçado do Forum Montijo. E disse "alguém que julgava" porque, depois de ver o CR7 correr tão depressa, acredito piamente que tenha sido o próprio, e não um sósia, a estar no local. Afinal de contas, ainda ia a tempo de se pôr em Madrid à hora do jogo.
Parece que, para além do golo e da assistência, o rapaz ainda alcançou a proeza de percorrer quase cem metros em dez segundos, numa altura em que o jogo já estava perto do fim.
Duas horas e meia antes do jogo começar, vi alguém que julgava ser um dos seus sósias numa loja de calçado do Forum Montijo. E disse "alguém que julgava" porque, depois de ver o CR7 correr tão depressa, acredito piamente que tenha sido o próprio, e não um sósia, a estar no local. Afinal de contas, ainda ia a tempo de se pôr em Madrid à hora do jogo.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Alergia a shoppings?
Não sei se é uma reacção alérgica ao reboliço de pessoas, à roupa, ao ar condicionado ou simplesmente ao consumismo que grassa por lá, mas a verdade é que, na maior parte das vezes em que vou a centros comerciais, saio de lá com os dedos das mãos inchados. Ontem, os meus dedos, particularmente os da mão direita, estavam com o dobro da sua espessura habitual. Parecia que tinham tomado esteróides.
Os shoppings constituem um terreno hostil para muitos homens. Vão para lá puxados pelas mulheres, que insistem em entrar em todas as lojas (eles que aguentem - ver foto), não obstante a possibilidade de chegarem a casa de mãos a abanar.
Os homens gostam de passar o tempo no café, a corricar com os amigos entre cerveja e amendoins, a ver um jogo de futebol ou simplesmente sentados num banco de jardim, a comentar as mulheres que passam. Para elas, um dia no shopping a experimentar roupas é uma espécie de Éden, de lifting da auto-estima.
Subscrever:
Comentários (Atom)
















