quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Saudades de ser cachopo

Tenho 24 anos. Quando era um cachopinho, sonhava ser grande. Não, não fazia planos sobre o que seria ou faria no futuro. Só queria ser grande. Depois? Depois, logo se via.
Hoje sou grande e tenho umas saudades tremendas desses tempos. Dos tempos em que jogava ao pião, das tardes passadas na ludoteca, das aventuras na barreira enlameada da escola, de me atirar do topo de um baloiço e cair desamparado no chão e, até, das sessões de arremeço de pedras que eu e os meus colegas de turma protagonizávamos contra uma das outras turmas do mesmo ano, apenas com uma parede de buracos triangulares a separar-nos. Quando atingíamos alguém, era o delírio, mais um passo rumo à conquista da batalha. (Há quem diga que as crianças conseguem transformar-se em seres cruéis e eu corroboro a tese. Por experiência própria.)
Apesar da vontade que tinha em voltar, por um dia que fosse, a esses tempos, há também acontecimentos que dispensava. Chegar a casa da minha avó com cinco dedos de uma professora vincados na cara (segundo ano) ou esmagar um dedo mindinho na porta da sala (terceiro ano) são, definitivamente, experiências que não faria questão de repetir. Tirando isso, quem não gostaria de - repito - por um só dia que fosse, regressar àqueles tempos em que não tinha outras preocupações que não ir para a escola, comer e brincar? De trocar arrelias sobre o emprego, o desemprego e o estado de sítio do país por uma vida, quase canina, de despreocupações?

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