Uma semana depois de justificar as vendas de Javi García e Witsel com as exigências de um novo panorama financeiro global, eis que Luís Filipe Vieira viu, talvez pela primeira vez em mais de dez anos, ameaçadas as sólidas estruturas da sua liderança à frente do Benfica. Até quinta-feira à noite, as manifestações de desagrado para com a sua presidência pouco tinham passado de graffitis nos muros do Estádio da Luz com citações do próprio. Agora os sócios não perdoaram novo ano com as contas da SAD no vermelho e fizeram questão de o demonstrar a menos de um mês das eleições no clube.
Um cartão amarelo para o líder dos encarnados que, ainda assim, sairá vencedor de novo sufrágio por margem esmagadora. Afinal de contas, falta-lhe uma oposição forte, capaz de chegar às massas e de convencer a grande maioria dos associados de que LFV já nada acrescenta ao clube da Luz.
Acontece que entre o benfiquismo ainda paira – e de que maneira – a sombra de uma gestão ruinosa que quase conduziu o clube ao fim na viragem do milénio e, apesar do Relatório e Contas do exercício 2011/12 coincidir com os avisos de Bruno Carvalho (candidato derrotado em 2009 e que agora não poderá candidatar-se devido à alteração dos estatutos), poucos estarão dispostos a trocar a actual liderança por uma outra cujos verdadeiros propósitos serão sempre uma incógnita. Mesmo que os números – dois campeonatos em dez anos e subida galopante do passivo – indiquem que o rumo a seguir é outro, Vieira reúne crédito para mais três anos que, atrevo-me a dizer, serão os mais duros do seu já longo pontificado.
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