quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Coisas que me irritam no Facebook

Pensando bem, é melhor não dizer, não vá eu perder uma série de amigos.

Mandem-me à merda

Há muito que faz parte da minha rotina diária consultar o meu endereço de e-mail. Faço-o vezes sem conta por dia desde que fiquei desempregado, na esperança de ver uma resposta aos CVs que vou enviando. Já tentei que me contratassem, que me aceitassem para um estágio profissional ou até para um estágio não-remunerado. Obtenho poucas respostas, a maioria pré-formatadas, mas agradeço a quem o faz, quanto mais não seja por ter perdido alguns segundos a enviar a resposta. A quem não passa cartão aos mails desde pobre desempregado, gostaria de pedir encarecidamente que perdessem também alguns segundos do seu precioso tempo, nem que fosse para me mandarem à merda (sempre era a prova de que a minha mensagem tinha chegado ao destinatário).
Hoje, depois de mais um périplo de envio de CVs, desliguei o pc. Umas horas depois, voltei a ligá-lo e cumpri o ritual. Abri o mail - um que criei recentemente para efeitos de procura de emprego e onde não estou a ser constantemente importunado por newsletters, anúncios chatos ou notificações do Facebook - e, antes de aceder à caixa de entrada, reparei no alerta de mensagens novas. Optimista, pensei: "Talvez tenha sorte desta vez." O tanas. Era um anúncio de uma promoção da Head & Shoulders. É f...rustrante...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Rangidos e gemidos

Estamos num dos 3,5 milhões de prédios em Portugal. São quatro da manhã e o rangir da cama e os gemidos protagonizados pelos vizinhos do andar de cima estão a tornar-se insuportáveis. Afinal, amanhã é dia de trabalho que, por sinal, começa bem cedo com uma reunião importante. A história é fictícia, mas o tema é comum a toda a população mundial. Se, por uma noite, a incúria é desculpável, quando o episódio se torna recorrente é impossível disfarçar o mal-estar de quem anda sem dormir por razões alheias.
Portanto, há que resolver o problema, mas como não queremos entrar em conflito com os vizinhos prevaricadores, está fora de questão chamar a polícia.
No Reddit, um dos fóruns mais conhecidos da internet, há vários tópicos dedicados ao assunto e onde os utilizadores sugerem como solucionar o problema. E algumas dicas são bem originais:

"Rapares, consigo ouvir-vos a fazer sexo. Querem ajudar-me a investir numas paredes à prova de som?"

"Bate com a tua cama contra a parede. Combate o fogo com fogo."

"Da próxima vez que os gemidos acabarem, grita em voz alta: '3 minutos e 19 segundos! Novo recorde!'"

"Pede-lhes para baixarem o volume do filme porno antes que o resto dos vizinhos oiça."

"Pergunta ao teu vizinho se está a decorar a casa. Se ele perguntar porquê, diz-lhe que tens ouvido barulhos de móveis."




sábado, 27 de outubro de 2012

O que é que te irrita ao volante?

Já vai para quatro anos e meio que tirei a carta de condução. Ao contrário de muitos, que já conhecem os processos de condução de trás para a frente logo na primeira aula (geralmente esses são os piores), a minha experiência resumia-se aos jogos de Fórmula 1 no computador e de Sega Rally nas máquinas de arcada. Portanto, nada de relevante.
Após a terceira aula de condução achei que já era um ás ao volante. Um prodígio daqueles que assim que aprende a fazer uma coisa é capaz de a desempenhar com a astúcia de um profissional. Para o mostrar, pedi à minha mãe para me deixar pôr o Saxo no quintal de casa. A experiência não foi bonita. É certo que não acertei no portão, mas esqueci-me de uma das regras primordiais neste tipo de manobras: olhar pelo espelho retrovisor. O resultado? Um carro a um metro da traseira do Citroën e um cheiro intenso a borracha queimada.
Depois disso, deixei de me armar em Schumacher e foquei-me na carta. Fiz tudo à primeira e, não sendo um condutor exímio, acho que o instrutor nunca teve razões de queixa.
Ora, desde o dia 13 de Maio de 2008 e hoje, calculo que já tenha feito qualquer coisa como 100 mil quilómetros, o equivalente a duas voltas e meia ao Mundo pela linha do equador. E, ao volante, o sangue ferve-me como em poucas ocasiões. Resigno-me com o trânsito (faz parte), mas não posso com alguns comportamentos, por mais insignificantes que possam parecer, de quem circula na estrada. Eis uma lista de mandamentos que gostaria de sugerir aos milhares de parolos que andam pelas vias nacionais:

- Não ligarás os máximos uma fracção de segundo antes do cruzamento com o outro veículo estar terminado;
- Não te aproximarás demasiado do carro da frente... ou qualquer dia sai-te a sorte grande;
- Não circularás com as luzes de nevoeiro ligadas mesmo quando a noite é propícia à contemplação de constelações. Ninguém quer saber se tens ou não luzes de nevoeiro;
- Não aumentarás a velocidade numa zona de sinais luminosos cujo vermelho seja accionada através do excesso de velocidade. Quem vem atrás de ti pode tratar-se de um psicopata e não quererás vê-lo zangado;
- Não torturarás outros automobilistas com a tua música no engarrafamento para a ponte. É de evitar todo e qualquer tipo de música a decibéis elevados, mas deverás ser mais cuidadoso se fores apreciador de trance, dubsted ou lixo auditivo similar.

Nota do autor: não há perdão para qualquer um destes comportamentos.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Saudades de ser cachopo

Tenho 24 anos. Quando era um cachopinho, sonhava ser grande. Não, não fazia planos sobre o que seria ou faria no futuro. Só queria ser grande. Depois? Depois, logo se via.
Hoje sou grande e tenho umas saudades tremendas desses tempos. Dos tempos em que jogava ao pião, das tardes passadas na ludoteca, das aventuras na barreira enlameada da escola, de me atirar do topo de um baloiço e cair desamparado no chão e, até, das sessões de arremeço de pedras que eu e os meus colegas de turma protagonizávamos contra uma das outras turmas do mesmo ano, apenas com uma parede de buracos triangulares a separar-nos. Quando atingíamos alguém, era o delírio, mais um passo rumo à conquista da batalha. (Há quem diga que as crianças conseguem transformar-se em seres cruéis e eu corroboro a tese. Por experiência própria.)
Apesar da vontade que tinha em voltar, por um dia que fosse, a esses tempos, há também acontecimentos que dispensava. Chegar a casa da minha avó com cinco dedos de uma professora vincados na cara (segundo ano) ou esmagar um dedo mindinho na porta da sala (terceiro ano) são, definitivamente, experiências que não faria questão de repetir. Tirando isso, quem não gostaria de - repito - por um só dia que fosse, regressar àqueles tempos em que não tinha outras preocupações que não ir para a escola, comer e brincar? De trocar arrelias sobre o emprego, o desemprego e o estado de sítio do país por uma vida, quase canina, de despreocupações?

domingo, 21 de outubro de 2012

O filme vinha riscado

Sem nada para fazer, ontem apoderou-se de mim um espírito um tanto ou quanto cinéfilo. Logo de mim, que não sou de andar com um P3, do Público, ou com a Actual, do Expresso, debaixo do braço. À noite, já depois de recolhido no quarto, resolvi ir à sala ver o que estava a dar na televisão. Pus-me a fazer zapping e parei no Hollywood. O filme chamava-se O Atirador e, como o próprio nome indica, envolve armas. Armas, sangue, corrupção, vingança e justiça pela próprias mãos.
Não se tratando de uma obra-prima, a película prendeu-me ao sofá. Não que tivesse ficado fascinado com o argumento do filme em si (é um igual a tantos outros), antes com os da Kate Mara ou da Rhona Mitra, sempre sublimes ainda que a interpretarem papéis menores - que desperdício. Como é apanágio de qualquer filme de acção que se preze, este acaba com o herói a dar cabo do vilões, limpando-lhes o sebo um a um.
Não satisfeito com aquela ligeira carga hollywoodesca, peguei no portátil e fui a um daqueles sites para s... vender filmes (isso!) e optei por um que me pareceu interessante: Touchback, que conta a história de um agricultor cujo sonho de se tornar profissional de futebol americano lhe foi cortado por uma lesão sofrida num jogo. Basicamente, depois de umas horas o filme estaria disponível. 1,7 gigas, dizia nas propriedades: "Mais um Titanic", pensei.
Ora, durante a tarde, lá contei à namorada que tinha em minha posse um filme do caraças, bom para ver em companhia. "Mas não é triste, pois não? É que eu não gosto desses." Tretas. Gosta pois, e a prova foi a sua reacção de frustração quando o filme empancou a meio por uma qualquer razão que ainda desconheço, embora já esteja a tratar de resolver o assunto. É o que dá comprar filmes na net. Só por causa desta, o próximo que vir é sacado. Legítimo, não?

sábado, 13 de outubro de 2012

A queda da lenda

Tinha uns 11 anos quando comecei a vê-lo. Ele, que dois ou três anos antes tinha vencido um cancro com metástases por quase todo o corpo, galgava montanhas e arrebatava contra-relógios. Não havia Zulle, Ullrich, Beloki, ou Pantani que lhe fizesse frente. Depois da primeira, em 1999, seguiram-se seis: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Ficou-se pelas sete (7!) Voltas a França consecutivas e, aos 33 anos, resolveu sair pela porta grande, para dedicar-se à sua fundação criada com o intuito de apoiar pessoas com cancro.
Lance Armstrong foi um exemplo para milhões de pessoas. Uma fonte de inspiração. Para jovens como eu, para quem lutava contra a mesma doença que ele havia vencido e para com quem ele pedalava pelas estradas gaulesas. Ele, um milagre, impressionou o mundo com a sua história de vida. Lançou livros, ganhou milhões e granjeou da admiração de todos. Até Eddy Merckx, considerado o melhor de todos os tempos, chegou a dizer-se impressionado com os feitos do norte-americano. Foi ele, aliás, um dos grandes defensores de Armstrong, quando a USADA (agência norte-americana de antidopagem) lhe retirou, no Verão, os sete triunfos no Tour, baseando-se para isso em testemunhos de antigos companheiros. ´Merckx chegou mesmo a mostrar-se revoltado com a "perseguição" movida a Armstrong: "Foi controlado mais de 500 vezes desde 2000 e nunca acusou positivo. Todo o processo é baseado em depoimentos de testemunhas. É totalmente injusto", disse antes da USADA divulgar o teor de um dossiê com mais de mil páginas onde é denunciado o esquema que Armstrong terá montado para dominar Alpes e Pirinéus durante sete anos a fio. Ele, com a ajuda de médicos, farmacêuticos, directores e colegas, desenvolveu aquele que se acredita ser o mais sofisticado e bem sucedido programa de doping da história do desporto profissional, e que lhe permitiu nunca acusar positivo nas centenas de controlos a que foi sujeito.
Para já, Armstrong remete-se ao silêncio. Desconhece-se se estará a preparar a sua defesa ou se, por outro lado, já terá desistido de contrariar a acusação.
Aconteça o que acontecer, Armstrong não deixará de ser um exemplo. Mas, de agora em diante, deixará de ser o homem que sobreviveu a um cancro com metástases no cérebro para, depois disso, vencer o Tour entre 1999 e 2005. Passará, sim, a ser um ser humano que venceu o cancro e que, depois disso, perdeu a dignidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Havia necessidade?

Era um tema há muito falado. Agora é oficial: a Sonaecom anunciou hoje que pretende despedir 48 funcionários do jornal Público. Destes, incluem-se 36 jornalistas.
Por fazer, há vários meses, parte deste barco, manifesto a mais profunda solidariedade para com quem está a passar por esta situação delicada.
O desmembramento do jornal - que representa cerca de 25 por cento da equipa de redacção - foi comunicado um dia após o Grupo Prisa ter anunciado aquilo que apelidou de "plano de recuperação do El País", que detém, prevendo a dispensa de 128 trabalhadores (mais 21 que irão para a reforma antecipada) e uma redução salarial de 15 por cento para quem permaneça no jornal.
Recorde-se que o El País é o jornal espanhol pago, e não pago, com maior tiragem (cerca de 462 mil em 2011).
Quanto ao Público, estes despedimentos provam a insensibilidade social que vigora na empresa da família Azevedo. Sim, porque não se trata de falta de lucro. É que, só na primeira metade do ano, a Sonaecom viu os seus lucros crescerem em 20 por cento (38,1 milhões de euros). Havia necessidade?

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Comentários às notícias do dia

Zenit não sabe a quem pagar pelos direitos de formação de Hulk
Paguem a mim! É só indicarem a quem devo fazer chegar o meu NIB

"Povo português revelou-se o melhor do Mundo", Vítor Gaspar
Devemos acreditar nestas declarações ainda que tenham sido proferidas pelo pior ministro das Finanças do Mundo?

Carlos (o ex da princesa Diana e sogro da Kate Middleton) recebeu, em 2011/12, cerca de 688 800 euros referentes a pessoas que morreram no seu ducado da Cornualha sem redigir testamento.
Venho por este meio declarar-me herdeiro de todos aqueles que morrerem sem deixarem testamento. A medida terá efeitos imediatos. Garanto que as casas, os carros e o dinheiro ficarão em boas mãos e que farei com tudo isso...o que bem entender. Era bom, não era?

Com este Governo é evidente que não há luz ao fundo do túnel", Jerónimo de Sousa
Ao preço a que está a electricidade, não há outro remédio que não andar às escuras.

Michael Schumacher retira-se da Fórmula 1 no final da época.
Se na Fórmula 1 também se aplicar a regra do "quem bate por trás é quem paga", deve estar perto da bancarrota só pelo que fez nas últimas três épocas. Boa reforma. Outra vez.

BCE diz que Portugal tem feito progressos significativos
Em que sentido?


O vieirismo está aí. Para durar

Uma semana depois de justificar as vendas de Javi García e Witsel com as exigências de um novo panorama financeiro global, eis que Luís Filipe Vieira viu, talvez pela primeira vez em mais de dez anos, ameaçadas as sólidas estruturas da sua liderança à frente do Benfica. Até quinta-feira à noite, as manifestações de desagrado para com a sua presidência pouco tinham passado de graffitis nos muros do Estádio da Luz com citações do próprio. Agora os sócios não perdoaram novo ano com as contas da SAD no vermelho e fizeram questão de o demonstrar a menos de um mês das eleições no clube. 
Um cartão amarelo para o líder dos encarnados que, ainda assim, sairá vencedor de novo sufrágio por margem esmagadora. Afinal de contas, falta-lhe uma oposição forte, capaz de chegar às massas e de convencer a grande maioria dos associados de que LFV já nada acrescenta ao clube da Luz. 
Acontece que entre o benfiquismo ainda paira – e de que maneira – a sombra de uma gestão ruinosa que quase conduziu o clube ao fim na viragem do milénio e, apesar do Relatório e Contas do exercício 2011/12 coincidir com os avisos de Bruno Carvalho (candidato derrotado em 2009 e que agora não poderá candidatar-se devido à alteração dos estatutos), poucos estarão dispostos a trocar a actual liderança por uma outra cujos verdadeiros propósitos serão sempre uma incógnita. Mesmo que os números – dois campeonatos em dez anos e subida galopante do passivo – indiquem que o rumo a seguir é outro, Vieira reúne crédito para mais três anos que, atrevo-me a dizer, serão os mais duros do seu já longo pontificado.


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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O tempo voa

Já vai para nove meses que a Focus foi fechada. Foram 22 meses de muito prazer, algumas chatices e de muitos erros. Mas, acima de tudo, foram quase dois anos de muita aprendizagem. 
Obrigado a todos. Porque aprendi com todos.