Tive o privilégio de entrevistar Mário Coluna nos primeiros meses de 2011, algumas semanas antes de se assinalaram os 50 anos da primeira Taça dos Campeões Europeus ganha pelo Benfica. Falei com a sua filha, Lourdes, que me cedeu o contacto do pai, a viver no bairro de Sommerschield, em Maputo. Como a conversa ia ser longa, liguei previamente para o senhor Coluna, para agendar a entrevista. Identifiquei-me ao Monstro Sagrado. Ele, que já era sagrado no Benfica antes de Eusébio se dar a conhecer a Portugal e ao mundo. Combinámos a entrevista para o dia seguinte, às 15 horas de Portugal, mais duas (salvo erro) em Moçambique. «Obrigado, senhor Coluna. E até amanhã.»
Lembro-me que dois colegas de redacção se riram de mim. Da minha reverência para com o senhor Coluna. «Senhor» era a palavra que lhes causava uma certa espécie. Ora, se Eusébio sempre tratou Coluna por «senhor», quem era eu para lhe chamar Mário? Ou simplesmente Coluna?
Durante a entrevista, perguntei ao senhor Coluna como estava de saúde. Respondeu-me que o coração estava bom e que só tinha dores quando havia mudança de tempo.
Desde domingo que o senhor Coluna travava mais uma batalha. Foi a última.
Em baixo, a entrevista publicada na edição 606 da revista Focus, resultado de uma conversa de uma hora e meia ao telefone.
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