sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Jornalismo alcoólico

Nos últimos dias soube-se que o grupo Cofina vai começar a fazer testes de alcoolemia aos seus funcionários. Para o grupo Cofina, detentor de respeitáveis títulos como o Correio da Manhã, a TVGuia e a Flash (a Sábado, o Negócios e o Record ainda vão pertencendo a outro ecossistema), é mais importante saber se um jornalista bebeu ao almoço do que zelar pelo interesse público do jornalismo que é praticado naquele grupo.

Ferreira Fernandes, jornalista conceituado, lembrou esta sexta-feira, no seu espaço de opinião no DN, a capa que o Correio da Manhã (uma referência ética, sem dúvida) fez no dia anterior. Ao que parece, o progenitor do jogador do Sporting, Carlos Mané, é traficante. Por isso, toca de fazer manchete com o Carlos Mané, que é filho de um traficante, à semelhança de muitas outras centenas ou, sabe-se lá (?), de milhares de jovens neste país.

Escreve ainda Ferreira Fernandes que as manchetes deste jornal são alcoólicas e que são produzidas por jornalistas sóbrios. Ora, se os jornalistas estão sóbrios quando fazem este tipo de manchetes, então o caso é mais grave: não se pode culpar a garrafa de tinto que (não) beberam ao almoço nem o mata-bicho de (não) puseram goela-abaixo logo pela manhã pelo jornalismo de sarjeta que ontem teve direito a manchete no jornal mais vendido em Portugal.

Eu cá, continuo a acreditar que só mesmo com um pifo dos antigos em cima é que um jornalista é capaz de esgalhar - mandar fazer ou dar luz verde para publicar - um texto daqueles. É preciso coragem que não se tem quando se está sóbrio.


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