À falta dos seus nomes, chamemos-lhes "Estúpida" e "Histérica".
No final de uma corrida na marginal de Cascais, duas miúdas com aspecto de quem está com a líbido prestes a explodir têm um ataque. A estúpida queria digitar a palavra cabrão no telemóvel, mas não sabia se a mesma terminava em "O" ou em "M"; a histérica atirou-se ao chão como se lhe tivesse acabado de dar uma apoplexia.
EstudaÇem!
segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
Mais um ano. Mais do mesmo
Acabo de fazer as contas. Desde que nasci, o FC Porto ganhou 16 vezes o campeonato. Precisamente duas vezes em cada três anos. Os restantes foram para Benfica (5), Sporting (2) e Boavista, com um.
E a culpa de eu quase nunca fazer a festa não é dos árbitros, do Pinto da Costa, nem do Jorge Jesus. É do meu pai, que me fez benfiquista. Agora já é tarde para mudar. Irra!
Parabéns ao campeão.
sábado, 28 de abril de 2012
Futebol. Um estranho fenómeno social
Prefiro ir acompanhado. Bebem-se
umas jolas, comem-se uns pregos, fala-se dos atributos da rapariga sentada duas
filas abaixo e, ao intervalo, mandam-se piropos às cheerleaders. Não o fazer é
paradoxal à essência masculina. Aliás, quem não o fizer arrisca-se a acabar nas
páginas do Sol, numa crónica de José António Saraiva sobre a homossexualidade.
Mas não me cai o mundo quando vou
sozinho. A jola e o prego antes do jogo – embora em proporções menores – nunca
faltam e as conversas sobre os atributos das dançarinas dão lugar a monólogos.
Quanto aos comentários às incidências do encontro, esses, não mudam rigorosamente
nada. Durante os jogos dou por mim a falar com alguém que nunca vi mais gordo. Discutimos
as opções do treinador, criticamos os jogadores e quase detalhamos a nossa vida
privada. No último Benfica – FC Porto para o campeonato nacional tinha ao meu
lado esquerdo dois indivíduos que dialogavam num idioma imperceptível. Um
deles, português, contou-me que estava emigrado na Holanda e que tinha vindo a
Portugal propositadamente para o jogo e para ver o Witsel, de quem era fã,
jogar. Conversámos durante quase todo o jogo e abraçámo-nos fervorosamente nos
dois, mas insuficientes, golos do Benfica. O rapaz da direita, que tinha ido à
bola com o pai, também não faltou às celebrações.
Num contexto mais “neutral”, este
tipo de comportamento seria intolerável. A demissão de Sócrates despertou
em mim uma enorme alegria, mas não ao ponto de partilhar fisicamente emoções
com um desconhecido. Aliás, na hipótese de um episódio destes acontecer,
pensaria que estava a ser assediado sexualmente ou a ser vítima de uma tentativa
de assalto com recurso a técnicas dissuasoras. Como aqueles gajos que andam
para aí a tropeçar nas pessoas e lhes levam as carteiras.
Mas o futebol é diferente. Aqui, a excitação é tolerável, não causa alergia e estamo-nos nas tintas para a inclinação sexual daquela pessoa que abraçamos nos festejos do golo. É como se uma embriaguez momentânea nos tivesse possuído. Mas fora daquele contexto é quem nem pensar. Levava logo um banano.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Os pastéis mais raros de Lisboa
Há uns dias li num jornal que o prémio de melhor pastel de nata de Lisboa, de 2012, tinha sido entregue à Pastelaria Aloma, em Campo de Ourique. Nunca lá tinha entrado, mas sei agora que é um dos espaços mais reputados da pastelaria tradicional lisboeta.
Na tarde chuvosa de quarta-feira, 25 de Abril, e para comprovar a justeza daquele galardão, lá fui eu à Aloma. Assim que saí do carro, duas ruas abaixo, já me cheirava à iguaria. O meu organismo suplicava por açúcar. O problema é que àquelas horas (16h30) já estavam esgotados, embora ainda tenha visto dois ou três lorpas a lambuzarem-se com eles. Azar.
Hoje (vida de desempregado tem destas regalias) lá voltei, com a minha irmã e um amigo. E, para evitar qualquer surpresa desagradável, duas horas mais cedo.
"Há pastéis de nata?", perguntou o Rui, ao que o empregado respondeu não saber. Mas antes de levar com um "então quem é que sabe?" lá acrescentou que se voltássemos 20 ou 30 minutos depois já estaria disponível outra fornada para venda.
Como Campo de Ourique está cheio do melhor, demos um saltinho ao "Melhor bolo de chocolate do Mundo". Depois de terminado, lá regressámos à pastelaria. Porra que tinha de ser desta!
E foi mesmo. Pastéis de nata numa caixa e era comê-los quando estivessem mais fresquinhos, não fôssemos ter um abalo intestinal em plena Feira do Livro. Uma boa meia hora depois abri a caixa e deparei-me com três caganitas em forma de pastel de nata. São bons, dou de barato que sejam os melhores de Lisboa, mas já vi mini-pastéis com aquele calibre. Devem ter mirrado com o calor.
Tivesse comprado dois.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Volta Peixoto. Estás perdoado!
Fui ver o dérbi eterno num café
aqui perto de casa. No espaço, pequenino e com um ambiente porreiro, estavam
entre 30 e 40 pessoas. Desses, quase metade seriam do Sporting. Beberam
cerveja, gritaram. E pavonearam-se como há três anos não o faziam. Enfim, ontem
ganharam o campeonato deles, assim como o Benfica ganhou o seu quando Sabry
deixou Schmeichel pregado ao chão e adiou o título ao Sporting em Alvalade na
longínqua época de 1999/00.
Saí daquele espaço aborrecido.
Com o árbitro, com os jogadores do Benfica e pelo facto de ter constatado que
as minis aumentaram de preço. Mas fiquei, sobretudo, intrigado com a reacção
dos adeptos do Sporting quando Emerson tocava na bola. Riam e troçavam, na
certeza de mais uma recuperação da posse de bola. E atenção que ontem nem fez
dos seus piores jogos, ainda que não tenha passado do medíocre.
Com isto concluí que Emerson não
é alvo de uma perseguição interna. É mesmo mau jogador. Ou isso ou estamos
todos enganados e não percebemos nada de futebol. Nós, adeptos do Benfica, do
Sporting e do FC Porto, os comentadores especializados e, até, Luis Aragonés e
Vicente Del Bosque, que ganharam os campeonatos da Europa e do Mundo com um
defesa esquerdo que só é opção na Taça da Liga ou quando Emerson cumpre
castigo.
A obsessão de Jesus com o defesa
brasileiro, e que nos leva a ter saudades de César Peixoto, é proporcional
àquela que demonstrou no passado com Roberto. Quanto mais enterrava o Benfica,
mais indiscutível se tornava. Jesus – o catedrático da bola, o mestre da
táctica, o criador da estratégia posicional – lá sabe o que o leva a depositar
tamanha confiança nesses jogadores. Há quem chame a isto “Princípio de Peter”. Eu
preferia chamar-lhe teimosia, mas já não sei. Depois de ter ouvido as suas
declarações após a derrota em Alvalade, em que dizia que o Benfica criou a
melhor ocasião de golo da segunda parte (?) e que apenas o golo separava aquilo
que ambas as equipas tinham produzido, suspeito que sofra de uma patologia mais
grave.
Subscrever:
Comentários (Atom)