segunda-feira, 22 de abril de 2013

O dérbi

A jogada de Gaitán, a tabela com o Salvio e a finalização à Artur Jorge de Lima é um daqueles momentos que justifica o preço pago por um bilhete. É, por isso, uma pena que se fale mais dos alegados penáltis que ficaram por assinalar a favor do Sporting do que da obra-prima que foi aquele segundo golo do Benfica.
O Sporting foi um digno vencido. Bateu-se estoicamente, mas não alinho na opinião de Jesualdo Ferreira, que defende que a sua equipa foi melhor.
A mim parece-me que apenas uma equipa tentou ganhar o jogo. O Benfica, fiel às suas origens recentes. Um Benfica vertical, com Gaitán, Salvio, Lima e Cardozo lá na frente. Jesualdo esquematizou a sua equipa em função do onze adversário. É uma velha raposa do futebol e, pelos anos que leva disto, sabe perfeitamente que nunca poderia apresentar na Luz uma equipa balanceada para o ataque, sob pena de se arriscar a sair da casa do eterno rival com uma pesada derrota. Por isso, e porque este Sporting não tem mais soluções, optou por colocar dois jogadores ultra-defensivos à frente da linha mais recuada - Dier e Rinaudo. Isso explica a razão pela qual o Benfica não conseguiu ser tão acutilante como em outras ocasiões. Mais do que querer ganhar o jogo, o Sporting preocupou-se essencialmente em dificultar construção ofensiva do Benfica e conseguiu-o durante muito tempo.
Quanto à arbitragem, o Sporting sai com razões de queixa. Maxi faz penálti sobre Capel na primeira parte. Quanto aos restantes lances, não ficaria chocado se João Capela tivesse sancionado o toque de Maxi a Viola, mas os lances de Garay e Jardel parecem-me mais contactos promovidos pelos jogadores do Sporting.

Ontem, foi assim que vi o dérbi:










segunda-feira, 15 de abril de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

Bochechas

Ouvi hoje Mário Soares dizer a Maria Flor Pedroso, em entrevista à Antena 1, que Portugal deve dizer que não paga a dívida. O antigo estadista deu o exemplo da Argentina, que em tempos se recusou a pagar a dívida contraída e que não lhe caiu o Carmo e a Trindade por isso. É bom saber que o homem que pôs Portugal na CEE compara o sistema político-social-económico-financeiro da Europa com o da América do Sul.
A malta tem de pagar, pá: precisa é de mais tempo para isso. Ou de um generoso desconto.
Cheira-me que o Bochechas é este tipo de comparsa:

- Caro amigo! Empresta-me aí 100 mil euros para comprar uns móveis e uns quadros para a minha Fundação.
- Claro. Depois de amanhã já os tens na tua conta. Quando estarás em condições de me pagar?
- Eu não falei em pagar. Que disparate o teu.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Danças

Nunca fui bom de danças. Verdade seja dita, sempre me desinteressei pelo tema. Nunca participei em aulas e das poucas vezes que me aventurei por algumas das variantes desta forma de expressão artística, fui um desastre absoluto. A dança exige rigor, precisão, repetição de sequências. E sequências não é comigo.
Do kuduro à valsa, eu confesso: sou um autêntico zero à esquerda, incapaz de repetir uma coordenação motora, com a cadência que se lhe é imposta, por mais básica que seja. Baralho-me. Troco o um-dois-três-um-dois-esquerda por qualquer coisa como um-dois-três-quatro-um-direita. O resultado? Pisadelas, caneladas e uma enorme frustração para a parceira.
Dançar uma valsa comigo - em modo "cinco whiskies" - é o mesmo que ser protagonista de uma rixa de rua. Já a minha técnica no kuduro assemelha-se às dificuldades que uma velhinha com dores crónicas agudas (nas costas e nas pernas) têm para atravessar a estrada. Não pretendo com isto ser engraçado, mas exemplificar o mais fielmente possível as minhas capacidades enquanto dançarino.
Alguém quer dançar comigo?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

NYmag XIII (final)

Assinalam-se hoje os 45 anos do lançamento da New York Magazine. Nos últimos meses foram publicadas algumas das melhores capas da história da revista. Tentei filtrar as mais originais e assumo que não fui bem sucedido na missão. A culpa? É da criatividade das pessoas que fizeram esta revista ao longo das últimas quatro décadas e meia.
Hoje, este blogue deixa cair o pano sobre esta rubrica com o "vale-tudo" que foram os primeiros tempos da NYmag. Tempos em que roubar leitores aos vizinhos era, mais do que importante, um imperativo de sobrevivência. As estratégias de marketing usadas (nas capas) eram deliciosas. Ora vejam:





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Incoerências

Não gosto de Lobo Antunes.
Mas também nunca li um livro seu.
É um erro julgarmos as pessoas por antecipação.
E os escritores também.

terça-feira, 2 de abril de 2013

O que o futebol faz aos comentadores

"Algumas pessoas acreditam que o futebol é uma questão de vida ou de morte e estou muito desapontado com isso. Posso assegurar-vos que é muito, muito mais importante do que isso." A reflexão que um dia Bill Shankly, histórico treinador do Liverpool, resolveu partilhar pode até ser exagerada para a maioria das pessoas, mas resume na perfeição como alguns quadrantes da sociedade vivem o desporto-rei.
Pois é. O futebol move paixões. Exacerbadas ao ponto de ser colocado não acima da própria vida mas, em muitos casos, da dignidade pessoal.
Agarrados ao cavalo, sapateiros, donos de cafés, psicólogos, médicos ou engenheiros, todos podem ser apanhados pela doença da bola que, sem contemplações, se entranha pelo hemisfério esquerdo - o responsável pelo raciocínio lógico -, sendo capaz de provocar curto-circuitos de média gravidade.
Há pouco, aconteceu com um advogado, de seu nome Dias Ferreira, que resolveu discutir com Paulo Garcia, apresentador do Dia Seguinte, e abandonar o programa em directo. A culpa? Do futebol, que lhe desligou alguns dos mais importantes disjuntores que transporta na sua marmita.
O caso de Dias Ferreira, figura incontornável no universo sportinguista, não é virgem em Portugal. De tempos a tempos, um comentador rói a corda. Chateado com outro comentador do painel, com o pivô, ou sabe Deus com quem.
Em 2010, depois de Rui Moreira ter batido com a porta em directo no programa Trio de Ataque, fiz um trabalho que recordava outros casos semelhantes na televisão portuguesa. Curiosamente, o senhor de hoje tinha espaço reservado em alguns episódios, dois deles com Rui Santos, figura única do programa Tempo Extra, que em tempos o aconselhou a frequentar uma consulta de psiquiatria. Em resposta, Dias Ferreira assumiu que em tempos chegou mesmo a procurar ajuda, acrescentando: "Fiz uma coisa que o senhor Rui Santos não sabe fazer, que é falar em grupo."
Um ano e meio depois, e ainda com algumas feridas por lamber, o representante do Sporting avaliou Rui Santos como um "produto de uma noite, ou dia, de completo descalabro.
Nesta altura, Dias Ferreira já era veterano no que a picardias diz respeito. Onze anos antes, em 1999, já se tinha envolvido numa acesa discussão com Pedro Baptista. O que se passou?
Fica aqui o relato do episódio e a versão do professor universitário à Focus 574.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

NYmagazine XII (especial parte II)

Na próxima semana, dia 8, assinalam-se os 45 anos do lançamento da New York Magazine. Era impossível compilar todas as capas brilhantes em cerca de três meses, o tempo que já leva esta iniciativa. Para tentar compensar um pouco as coisas, esta semana resolvi juntar algumas capas que a publicação dedicou a Richard Nixon. Seguem mais quatro.





NYmagazine XII (especial)

Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos entre 1969 e 1974, esteve envolvido numa série de escândalos durante a sua passagem pela Casa Branca. Acabou emaranhado numa teia que ele próprio teceu e é, até hoje, o único dos 44 presidentes norte-americanos que resignou.
Estas são apenas três das (muitas) capas que a New York Magazine lhe dedicou.
(Como podem ver, a originalidade tuga ainda não chega, na sua generalidade, aos calcanhares do que há quatro décadas se fazia do lado de lá do Atlântico.)