sábado, 12 de maio de 2012

O azar de um e a sorte de outro

Há uns anos fui com dois amigos ao Casino Vilamoura. Lembro-me de pouca coisa. Dos amigos, de não ter levado dinheiro, mas essencialmente de um homem com ar de pescador a deitar a mão ao bolso da sua camisa de flanela de onde floresceu de imediato um volumoso maço de notas. Assisti ao desfiar do maço, à desgraça daquele pobre coitado na mesa de Blackjack, mas fui incapaz de conter um sorriso cínico. Para mim, ele era burro. Estava a perder dinheiro à farta e, na esperança de recuperar algum, continuava a jogar. E a perder.
Ontem, enquanto gastava no Casino de Tróia não um maço de notas, mas os poucos euros que levei comigo, lembrei-me dele. A Slut (sim, SLUT!) Machine lixou-me em segundos. Lição aprendida? Qual quê! Armado em campeão - e é assim que a malta fica agarrada -, passei à roleta russa, onde investi o pouco que me restava.
E o saldo foi positivo. Ao fim de uma hora, quando retirei o talão, estava a ganhar 20...cêntimos. Não é uma fartura, já nem sei se ainda dá para duas pastilhas, mas consegui sacar dinheiro a uma casa que se farta de ganhar dinheiro à pala da desgraça alheia. (Embrulhem, chulos!)
Triunfante, fui a uma máquina automática levantar aquela pequena fortuna e, depois disso, seguiram-se dez minutos às voltas no casino à procura de um amigo com quem fui até Tróia. Encontrei-o a jogar Banca Francesa no meio de dois alarves alemães. Sim alarves! Alarves porque não paravam de beber Gin Tónico e porque um deles estava cravado de fichas e placas até aos dentes. Chamava-se Michael. Michael Ballack. Não era pobre nem pescador e, mesmo que não precisasse, estava a ter sorte.

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