quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dias difíceis



Hoje fui tomar café com dois antigos camaradas da revista Focus. A praia do Magoito foi o spot escolhido. Ali, num barzinho à maneira, pusemos alguma conversa em dia. Um desempregado e dois em vias de o ficarem riram sobre personagens com laivos de demência que proliferam na nossa sociedade – desde alguém com poder para nos dar um chuto no cú (fica melhor com acento), até um pobre coitado que, ao que parece, tem por hobby deleitar-se entre os rochedos daquela praia. Entre a galhofa sintetizei os meus últimos 18 dias, desde que abandonei o local onde iniciei a minha actividade profissional em jornalismo: enviar CVs e consultar com regularidade o correio electrónico na esperança de que alguém no meio deste circo de feras precise de um jornalista jovem, com pouca experiência e um portfólio com um ou outro trabalho bom e alguns (bem sei e sempre soube) no limite do tolerável para publicação. Entre a passagem recorrente pelo Hotmail, o inconsciente e furioso zapping e a companhia de um livro, não espanta que tenha a sensação de que estas semanas parecem meses.
Em situação semelhante está 13,6 por cento da população activa em Portugal e até os governantes – optimistas e certos de que o futuro será dourado – já avisaram que muitos mais trabalhadores irão passar a ter o mesmo patrão. A isto junta-se o desemprego jovem que já cheira os 31 por cento – e aqui não são contabilizados aqueles que se encontram a trabalhar a falsos recibos verdes e em (outras) situações de precariedade. Valha-nos Bruxelas, que já está a colocar no Correio Azul um valente cheque para ajudar o nosso estimado Governo que tanto já tem feito para combater esta praga. Será?

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