Hoje fui tomar café com dois
antigos camaradas da revista Focus. A praia do Magoito foi o spot escolhido.
Ali, num barzinho à maneira, pusemos alguma conversa em dia. Um desempregado e
dois em vias de o ficarem riram sobre personagens com laivos de demência que
proliferam na nossa sociedade – desde alguém com poder para nos dar um chuto no
cú (fica melhor com acento), até um pobre coitado que, ao que parece, tem por
hobby deleitar-se entre os rochedos daquela praia. Entre a galhofa sintetizei
os meus últimos 18 dias, desde que abandonei o local onde iniciei a minha
actividade profissional em jornalismo: enviar CVs e consultar com regularidade
o correio electrónico na esperança de que alguém no meio deste circo de feras
precise de um jornalista jovem, com pouca experiência e um portfólio com um ou
outro trabalho bom e alguns (bem sei e sempre soube) no limite do tolerável
para publicação. Entre a passagem recorrente pelo Hotmail, o inconsciente e
furioso zapping e a companhia de um livro, não espanta que tenha a sensação de que
estas semanas parecem meses.
Em situação semelhante está 13,6 por
cento da população activa em Portugal e até os governantes – optimistas e
certos de que o futuro será dourado – já avisaram que muitos mais trabalhadores
irão passar a ter o mesmo patrão. A isto junta-se o desemprego jovem
que já cheira os 31 por cento – e aqui não são contabilizados aqueles que se
encontram a trabalhar a falsos recibos verdes e em (outras) situações de
precariedade. Valha-nos Bruxelas, que já está a colocar no Correio Azul um valente cheque para ajudar o nosso estimado Governo que tanto já tem feito para combater esta praga.
Será?
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