terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Belenização?

Não sou altruísta. Aliás, como benfiquista inveterado que sou, não posso deixar de escapar alguns sorrisos pela situação indigente que grassa por estes dias no futebol do Sporting. Afinal, já passámos por situação semelhante (talvez até bem pior) e ninguém teve pena de nós. Bem sei que, por norma, os maiores clubes nacionais passam por ciclos conturbados. Por cá, já aconteceu com os chamados três grandes e, além fronteiras, são vários os exemplos: aconteceu com Real Madrid, Barcelona, Manchester United, AC Milan, Marselha e o Liverpool não toca no caneco há mais de 20 anos.
Contudo, preocupa-me que o futebol português possa estar a ficar, irreversivelmente, órfão de um dos grandes. Há coisa de um ano conversei, em trabalho, com um dos maiores opositores à liderança de José Eduardo Bettencourt, o então presidente do Sporting. Afirmou que o Sporting estava a caminhar para a "Belenização" e que era imperativo alterar o rumo dos acontecimentos. Acontece que esse senhor faz hoje parte da direcção do Sporting. Um Sporting que continua a quilómetros de distância dos dois maiores rivais - já para não falar do Braga -, a trucidar treinadores mas com a agravante dos seus actuais dirigentes terem feito, esta época, o maior investimento dos últimos anos no plantel. Na linha de raciocínio desse mesmo dirigente, o Sporting caminha mesmo para a "Belenização". Mas, agora, a passo mais acelerado.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dias difíceis



Hoje fui tomar café com dois antigos camaradas da revista Focus. A praia do Magoito foi o spot escolhido. Ali, num barzinho à maneira, pusemos alguma conversa em dia. Um desempregado e dois em vias de o ficarem riram sobre personagens com laivos de demência que proliferam na nossa sociedade – desde alguém com poder para nos dar um chuto no cú (fica melhor com acento), até um pobre coitado que, ao que parece, tem por hobby deleitar-se entre os rochedos daquela praia. Entre a galhofa sintetizei os meus últimos 18 dias, desde que abandonei o local onde iniciei a minha actividade profissional em jornalismo: enviar CVs e consultar com regularidade o correio electrónico na esperança de que alguém no meio deste circo de feras precise de um jornalista jovem, com pouca experiência e um portfólio com um ou outro trabalho bom e alguns (bem sei e sempre soube) no limite do tolerável para publicação. Entre a passagem recorrente pelo Hotmail, o inconsciente e furioso zapping e a companhia de um livro, não espanta que tenha a sensação de que estas semanas parecem meses.
Em situação semelhante está 13,6 por cento da população activa em Portugal e até os governantes – optimistas e certos de que o futuro será dourado – já avisaram que muitos mais trabalhadores irão passar a ter o mesmo patrão. A isto junta-se o desemprego jovem que já cheira os 31 por cento – e aqui não são contabilizados aqueles que se encontram a trabalhar a falsos recibos verdes e em (outras) situações de precariedade. Valha-nos Bruxelas, que já está a colocar no Correio Azul um valente cheque para ajudar o nosso estimado Governo que tanto já tem feito para combater esta praga. Será?