O conceituado jornal francês L'Equipe perspectivou como será o top 10 do ranking mundial do ténis em 2018. Apesar de reconhecer que é sempre um risco antever como será o topo do ATP dentro de cinco anos, acredito que a escolha poderia ter sido bem mais consensual.
Não sei com que bases chegaram a estes nomes, mas a confirmar-se esta escolha uma coisa é certa: a qualidade do ténis vai descer. E muito.
A lista é a seguinte:
1) Grigor Dimitrov
2) Benoit Paire
3) Andy Murray
4) Milos Raonic
5) Novak Djokovic
6) Kei Nishikori
7) Bernard Tomic
8) Ernests Gulbis
9) Jerzy Janowicz
10) Jack Sock
Como é possível constatar, faltam aqui dois nomes de vulto: Roger Federer e Rafael Nadal, o que não espantará quem está por dentro do assunto. É que em 2018 o suíço fará 37 anos e a data mais provável para a sua retirada do circuito é 2016, após o Jogos Olímpicos. Quanto a Nadal, os problemas no joelho esquerdo não lhe permitirão ter uma carreira longa. Em 2018 fará 32 anos e será uma sorte se ainda continuar no activo.
Andy Murray e Novak Djokovic, números dois e um do Mundo, respectivamente, mantêm-se no top 10, embora longe do fulgor de outros tempos. Terão 31 anos e, ao que me parece, mesmo reduzidos fisicamente terão ténis (principalmente o segundo) para superar qualquer um destes nomes. O L'Equipe acha o contrário.
O que eu acho de cada um destes nomes é o seguinte:
Grigor Dimitrov: Chamam-lhe Baby Federer devido às semelhanças com o tenista suíço no que ao estilo de jogo diz respeito, mas não levem isso muito a sério. Adiante: terá 27 anos em 2018. Hoje, aos 22, ocupa um modesto 28.º posto do ranking e ainda não conquistou qualquer título ATP. Com a sua idade, Federer já tinha conquistado três torneios do Grand Slam e era número 1. Já Nadal tornou-se número 1 mundial também aos 22 anos, altura em que já limpava o pó a cinco troféus do Grand Slam. Quanto a Djokovic e Murray, com a mesma idade já eram 3.º e 4.º colocados do ranking. Faz sentido perspectivar Grigor Dimitrov como melhor tenista mundial em 2018?
Benoit Paire: É francês e foi só por isso que o L'Equipe o colocou no segundo posto. O rapaz (26.º) até é talentoso, mas já não é propriamente um puto. Não tem nenhum título ATP e o saldo vitorioso é negativo (50-55). Tem 24 anos e duvido que faça muito melhor do que isto.
Andy Murray: Terá 31 anos em 2018 e, ao que tudo indica, uma mão cheia de torneios do Grand Slam. Deverá estar longe do seu melhor ténis - as lesões nos tornozelos são uma das suas maiores dores de cabeça - mas o top 5 parece-me ao seu alcance.
Milos Raonic: Há anos que se fala desta promessa canadiana. Tem 22 anos, quatro títulos ATP e ocupa o 16.º lugar do ranking. Está longe do nível que qualquer um dos nomes do chamado big four exibia com a sua idade mas, tendo em conta que mais de uma dezena dos tenistas que actualmente estão à frente terão mais de 30 anos (alguns retirados), é bem provável que o L'Equipe acerte neste prognóstico.
Novak Djokovic: À partida os próximos anos serão dele. E só será número 5 em 2018 se entretanto se fartar de ganhar. Como Andy Murray, terá 31 anos em 2018 e não ostentará a frescura de outros tempos. Mas será que isso é suficiente para ser superado por Raonic, Paire ou Dimitrov, o homem que acaba de trucidar em Roland Garros?
Kei Nishikori: Tem 23 anos e ocupa o 15.º posto do ranking. Já conta com três títulos ATP. Bate bem na bola, é um shot maker mas não tem estampa física para ser número 1. Talvez chegue ao nível de um David Ferrer (top 5), mas para isso acontecer este japonês ainda terá de comer muitos quilos de arroz.
Bernard Tomic: Desde Lleyton Hewitt (anda a fazer turismo há dez anos) que a Austrália não tem um representante digno. Bernard Tomic até tem umas prestações decentes, mas nos últimos meses deu um enorme trambolhão no ranking (já foi 27.º e agora é 61.º) Apesar disso, não tenho dúvidas de que tem ténis que lhe permita sonhar com um top 10. Tem 20 anos e, portanto, margem de progressão.
Ernests Gulbis: É capaz do melhor e do pior. Já venceu Federer e Djokovic e conseguiu encostar recentemente Nadal às cordas em terra batida. No entanto, a sua irregularidade dificilmente lhe permitirá furar um top 10 em 2018, ano em que completará 30 primaveras. Por agora ocupa um modesto 40.º lugar no ranking e nunca conseguiu sequer entrar no lote dos 20 melhores. É talentoso, mas se o talento bastasse David Ferrer nunca teria sido tenista.
Jerzy Janowicz: É um dos jogadores mais altos do circuito, com 2,03 metros. O L'Equipe acredita que estará no top 10 dentro de 5 anos e eu também. Actualmente é 23.º colocado e "basta-lhe" escalar 13 posições para lá chegar, o que já será um feito quase sem precentes. É que, se não me falha a memória, será apenas o segundo homem com mais de dois metros a figurar entre os dez melhores tenistas do Mundo.
Jack Sock: Os americanos matavam os franceses se fossem esquecidos.